26 abril, 2011

Poder da Arte

Se queres "entender" o poder subjetivo da Arte conhece Rothko.

Mark Rothko Sketch for "Mural No.4" 1958

28 março, 2011

Pequenas Lembranças #12

Merenda

Não sou muito ligado em comida, não consigo lembrar o que eu costumava levar de lanche para o colégio, a não ser numa época em que levava tão somente um Yakult, e a brincadeira era tomá-lo todo em menos tempo possível.
Antes disso tinha uma merendeira dos Trapalhões, com uma garrafinha dentro. Certa vez, não consegui abri-lá e pedi à professora, que fazendo toda força, me perguntou quem havia fechado, a que respondi, a empregada, e ela retrocou, sua empregada é o Hulk?

Lembro-me, também, de dois episódios relacionados a merenda. Uma manhã chega à porta da minha sala uma prima minha distante, que me procurando, me entrega uma nota de, sei lá, 5 mil cruzeiros...
Não entendi bem aquilo, ela não disse nada que lembre, e nem eu perguntei. Guardei o dinheiro.
Ora, eu tinha esquecido a merendeira em casa. Minha mãe preocupada, entrou em contato com sua prima e pediu que sua filha me desse um dinheiro para que eu comprasse o lanche.
Voltei para casa com o dinheiro intato.

Outra vez, levei de casa um dinheiro para comprar a merenda na cantina, deve ter sido a primeira vez. Enfrentei a fila, pedi um misto e uma Fanta. Voltei para onde comíamos, donde atinei que não tinha pegado o troco. Voltei para a loucura de um fila de crianças agitadas e reivindiquei com o atendente; Comprei um misto e uma Fanta e não ganhei meu troco. Ele disse que não havia troco. Relutei, mas aceitei. Acho que pensava que toda transição financeira envolvia pagamento, recebimento do produto e do troco.
Acabei praticamente sem recreio.

31 dezembro, 2010

2010

Dois mil e dez foi um ano estranho, marcado por perdas e tragédias, pessoais e mundiais. Equiparado talvez com 2001. Contudo, no âmbito pessoal, a chegada da Manuela compensa a balança com folga. A série de posts Esperando, mostra um pouco de como foi nossa experiência antes do nascimento, os quase quatro meses que se seguiram são indescritíveis, nos resta agradecer. Um 2011 ainda melhor para todos!

Update: Curiosa esta compilação das minhas postagens no facebook ao longo do ano.

30 dezembro, 2010

Melhores filmes de 2010

Ao longo do ano vou compilando no C'est la vie uma lista de melhores do filmes vistos. Geralmente são aqueles que ganharam 4 estrelas e meia no pequeno review que faço no Flixster. Não estou com tempo nem disposição para ver filme que sei que vou achar ruim, então dos pouco mais de 30 filmes novos a que assisti poucos decepcionaram. Ao final de 2010 chegamos a estes títulos:
  1. A Serious Man


  2. An Education


  3. As melhores coisas do mundo


  4. Avatar


  5. Black Swan


  6. Cabeça a Prêmio


  7. Carancho


  8. Carlos


  9. El secreto de sus ojos


  10. Fish Tank


  11. Gake no ue no Ponyo


  12. Hanami


  13. Inception


  14. Kick-Ass


  15. Mary and Max


  16. Shutter Island


  17. The Ghost Writer


  18. The Hurt Locker


  19. The Social Network


  20. Toy Story 3


  21. Triangle


  22. Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro


  23. Two Lovers


  24. Viajo porque preciso, volto porque te amo


  25. Where the wild things are



Cabe agora a tarefa de separar e ordenar os cinco filmes de que mais gostei neste ano, para facilitar meu lado, eliminarei aqueles que são oficialmente produções de 2009.

Eis a lista:
  1. Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro - José Padilha


  2. Cabeça a Prêmio - Marco Ricca


  3. Black Swan - Darren Aronofsky


  4. As Melhores Coisas do Mundo - Laís Bodanzky


  5. Toy Story 3 - Lee Unkrich

10 novembro, 2010

Silêncio

Se olharmos as coisas de perto, na melhor das hipóteses chegaremos à conclusão de que as palavras tentam dizer o que pensámos ou sentimos, mas há motivos para suspeitar que, por muito que procurem, não chegarão nunca a enunciar essa coisa estranha, rara e misteriosa que é um sentimento.


“Las palabras ocultan la incapacidad de sentir”, ABC (Suplemento ABC Literario), Madrid, 9 de Agosto de 1996
In José Saramago nas Suas Palavras

01 novembro, 2010

O inimigo agora é outro

Assisti a Tropa de Elite 2 há alguns dias, não sem grande impressão. Fica claro de cara a competência do diretor José Padilha, que com seu terceiro longa consegue o mesmo resultado dos dois primeiros; mexer profundamente conosco.

Vale relembrar o que escrevi sobre o Tropa de Elite original no blog de Londres:
Primeiramente, deveria ser decretado que todo mundo que assistiu a Tropa de Elite deveria ver Ônibus 174, longa anterior do Padilha. Não por acaso, os dois personagens centrais tem o mesmo sobrenome. Cap. Nascimento foi batizado em cima de Sandro do Nascimento, o sequestrador do ônibus no Jardim Botânico, segundo afirmou o próprio diretor no Programa do Jô. Os dois Nascimentos são “monstros”, contudo, à exemplo da criatura de Frankstein, estes monstros tem um criador, a Sociedade.
Embora Nascimento seja o narrador do Tropa de Elite, e a figura forte e carismática de Wagner Moura nos leve a uma próximidade com o personagem, a grande história do longa é a de André Mathias. E a criação deste novo “monstro” que acompanhamos nas quase duas horas de projeção (ou no DVD ou no computador). E a cena final é fenomenal. O que esperamos do último ato de Mathias? O que devemos esperar? Que ele atire e tenha o “coração”(ou a falta dele) para substituir Nascimento? Ou que ele se recuse a cometer ato de tamanha arbitrariedade e brutalidade? Aposto que pouquíssimo torcemos pela segunda hipótese. E a tela branca deixa aberto a conclusão, não do tiro, que fatalmente foi dado no rosto do traficante, mas do personagem e a nossa mesma enquanto agentes dessa trama.

Tropa de Elite é um filme difícil, pode sim gerar “efeitos colaterais”, mas como disse Pablo Villaça; “É infinitamente mais recompensador assistir a um filme que estimula a discussão e a auto-análise do que um que, por covardia ou falta de ambição, limita-se a seguir a corrente do politicamente correto.”

Pois bem, na continuação Nascimento, agora Coronel, continua um monstro. e vemos o que ser um monstro ocasionou na vida dele, profissional e pessoal. Entretanto, ele agora está diante e em meio a monstros piores que ele. O sub-secretário de segurança do governo do Rio, Coronel Nascimento, torna-se vítima nesta nova trama. Mas, não se trata de uma história de bandidos e mocinhos, Nascimento não é um herói ilibado, nem o é o Deputado Fraga, contraponto dele no filme.


Tropa 2 deixa de apontar o dedo para o tráfico e para os usuário de classe média. A mira agora é nas milícias e nos políticos. E nisso o filme ganha força. Diversão é, sem dúvida, mas com crítica e reflexão. Ninguém sai incólume do cinema. O filme vai deixar o espectador revoltado, ou desanimado, ou assustado, ou vai despertar seus instintos humanistas, ou revelará sua face fascista; dentre outras possibilidades. Não resta dúvida de qual atitude Mathias tomou no fim do primeiro filme. E foi a mesma infelizmente escolhida por grande parte da população nacional.


A parte das inúmeras questões ideológicas levantadas, o novo filme tecnicamente se supera. A fotografia de Lula Carvalho é mais interessante. A montagem de Daniel Rezende é eficiente, como é o roteiro de Padilha e Mantovani. O destaque, mesmo, para mim fica com o elenco. Preparado por Fátima Toledo, não há uma má atuação sequer. Temos sim um punhado de atuações magistrais. A começar pelo epílogo com Seu Jorge arrasador. André Ramiro novamente muito bem, um ator que quero ver em mais trabalhos. André Mattos que sempre admirei, mostra também força dramática. Milhem Cortaz se reafirma e Sandro Rosa surge como grata novidade e uma pergunta: "como nunca vi este cara antes?". Irandhir Santos prova que é a melhor revelação do cinema brasileiro desde... Wagner Moura. O nome do filme é sim Wagner Moura, nas palavras de Domingos Oliveira; "insuportavelmente sincero". Wagner é o melhor ator brasileiro e ponto final. E olha que ele só tem 34 anos.


Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro se tornou fenômeno de público. Pela primeira vez na história o cinema nacional tem maioria nas salas exibição do Brasil. A distribuição inclusive foi independente. Wagner Moura como produtor do filme vai embolsar mais de milhão de reais e artista competente e responsável que é vai de certo reaplicar parte em outras boas obras de arte, no teatro, cinema etc.

22 outubro, 2010

Esperando: O nascimento

Tenho escrito meses a fio sobre minha experiência de esperar minha filha. Sou homem, não geramos, não parimos, não amamentamos. Contudo, ser pai implica uma mescla contundente de emoções. Não creio que meus relatos alcançaram um centésimo do que vivi nestes meses, mas foi bom escrevê-los, compartilhar e receber os feedbacks. Cheguei ao nono mês, contei sobre o trabalho de parto. Deixei o nascimento propriamente dito para depois.

Esperei, maturei e desisti de escrever sobre este momento, indescritível. Tudo que escreva sobre o nascimento da Manuela será injusto com a realidade, quase surreal, daquela vivência no cerne do natural.
Convém dizer que recomendo veementemente o Parto Natural, com participação ativa da mulher e irrestrita do pai.

No mais, fico com os olhos mágicos que me calam…












P.S.: Quem não leu, veja o Breve Relato de Julieta.

17 setembro, 2010

Esperando: o trabalho de parto

Finalmente a chuva veio. Deitados na cama ouvimos o barulho característico que nos acordou, entre uma contração e outra. Não foi uma chuvinha qualquer, depois de meses, a água veio com ímpeto, transformando nossa rua numa corredeira. O ar melhorou e o cheiro que há tempos não sentíamos, encheu nossas narinas, enquanto nos debruçávamos na janela sob respingos da esperada chuva.

A chuva veio antes da Manuela, mas ela não tardaria. As contrações estavam ficando mais fortes e mais amiúde. Ainda tentávamos dormir nos intervalos, e éramos despertados, ela pelas dores, eu pelos gemidos. Quando vinham as contrações era impossível para Julieta permanecer deitada, a parede era sua melhor amiga. Por volta de duas e meia da manhã, ficou impraticável voltar a dormir, as contrações estavam muito frequentes. Eu, com o celular, media os intervalos e a duração. Fazia massagens na lombar tentando aliviar o incômodo e andava pela casa nos intervalos. Mais tarde, sentada na bola, Julieta encontrou uma posição de conforto, e passou a ter as contrações em silêncio meditativo.

Eram quase seis da manhã, com sol já nascendo e sem chuva, quando liguei de novo para a Doula Mariana. Tomei café como pude, já tinha tomado um energético para ficar mais desperto, mas sono era a última coisa na minha cabeça. Passado um tempo, Mariana chegou e passou a acompanhar a Julieta. Foram para de baixo do chuveiro, Julieta na bola usando a água quente como anestésico. As contrações já vinham de três em três minutos, Julieta fez um toque e achou que já sentia a cabeça da Manuela bem baixa. Era hora de ligar para a Dra. Daniela, antes liguei para o hospital para saber se a suíte PPP estava liberada. Estava tudo certo para partirmos para a Maternidade. Eram oito e vinte.

No carro Julieta ficou de joelhos no banco traseiro, com a cara no encosto, Mariana a assistindo. Dirigi em silêncio e com cautela, passando devagar nas lombadas, não obstante, a viagem não foi agradável para Julieta, como não poderia deixar de ser. Deixei-as na porta da Maternidade e fui estacionar. Julieta pediu que chegando no quarto ligasse para sua mãe. Ansioso, liguei assim que estacionei, bem como para minha mãe. Fui fazer a ficha na recepção enquanto ela foi ser examinada, antes da admissão. Liguei para o eu irmão e pedi que avisasse no trabalho que não iria. Julieta e Mariana apareceram revoltadas com o mau atendimento da médica que a examinou, que foi grossa, só disse que havia pouca dilatação, e desacreditou a chance de um parto normal, até desdenhando da vontade nossa. Julieta subiu para a suíte PPP enquanto eu terminava os acertos da admissão. A recepcionista era a mesma que nos apresentou a PPP, quarto onde a parturiente pode ficar no trabalho de parto, dar à luz e ficar o dia seguinte com o recém-nascido. Quarto que a tal médica de plantão disse não existir neste hospital. Quando terminei os procedimentos, Mariana me ligou dizendo que Julieta me queria com ela. Na portaria encontrei com a Daphne, a Doula suplente, que não pode subir a princípio. Dra. Daniela me ligou e pediu notícias, estava a caminho. Subi e encontrei Julieta na bola, concentrada.

Depois de um tempo lá em cima, a Daphne conseguiu subir, logo chegou a Daniela, obstetra. Fez na Julieta o exame de toque e constatou apenas três centímetros de dilatação, as contrações tinham também se espaçado com toda a locomoção até o hospital. Alguém entrou e disse que as avós estavam lá embaixo, desci então com a Daphne e lhes explicamos que o trabalho ainda estava incipiente e levaria ainda longas horas. Elas voltaram para seus afazeres e eu fui fazer um lanche, já eram quase dez da manhã.

De volta ao quarto, a coisa tinha pouco evoluído, mas as contrações voltaram a ficar mais frequentes. Chegou um momento em que elas aconteciam a cada minuto e duravam cerca de um minuto também. Julieta fazia sons, recebia massagens, ficava sob o chuveiro morno e passava bem pelas contrações. O segundo toque foi protelado enquanto pôde, os batimentos cardíacos da Manuela eram monitorados de tempos em tempos. A dificuldade passou a ser conciliar uma posição em que a Julieta ficasse confortável e a médica pudesse medir bem a frequência cardíaca.

Julieta permaneceu de jejum, se hidratando com água, isotônico e água de coco. Ofereceram-me almoço diversas vezes, mas estava sem apetite. As doulas também acabaram ficando em jejum. A pediatra de plantão era a Dra. Nanci com quem havíamos conversado, pois a Dra. Soraya viajaria no feriado. Acabou que ficamos confortável com a coincidência e nem ligamos para a Soraya.

O segundo toque acabou ocorrendo, não sem certa resistência, com a Julieta em quatro apoios, pois as contrações não davam trégua. Chegara a cinco centímetros. Não demorou meia hora para que um novo exame mostrasse sete centímetros de dilatação, era meio dia e meia e a coisa parecia começar a se acelerar.

Houve um momento de tensão, não sei precisar bem quando, mas os batimentos da Manuela tinham se alterado e obstetra cogitou descer com a Julieta para o bloco. Foi um balde de água fria. Desnecessário, pois ela sim diminuía a frequência cardíaca e logo recuperava, mas só durante as contrações ou quando a Julieta estava numa posição desconfortável. Julieta aprendeu a respirar com a filha e a cada novo monitoramento seu coração se mostrava perfeito.

Julieta praticamente não saía mais do chuveiro, na bola, de joelhos, escorada na parede, como o corpo lhe pedisse. Fui até a antessala me deitar um pouco e tentar descansar. Foi quando a Flávia me ligou de São Paulo, após ler o post sobre a 41ª semana. Disse-lhe para ficar atenta ao twitter onde postaria uma mensagem assim que a pequena nascesse. Mal consegui cochilar, meu coração batia forte, pela falta de sono, pela ansiedade, pela emoção. Levantei a uma e quinze, joguei uma água no rosto, não demorou a Julieta me chamou, me queria por perto, sentia agora uma vontade de fazer força, Mariana apontou como um bom sinal. Nos próximos minutos Julieta mudou de fase, entrou como que noutro plano. De mãos dadas comigo, vocalizava, meio que se animalizava. Com doçura gritou, Vem Manuela, vem minha filha. Chorou. E fez chorar as mulheres que a acompanhavam. Trouxe-me para mais perto do parto, do portal que se abria para a chegada da nossa filha.

A próxima hora e meia foi de muita luta, à exaustão, não havia, contudo um adversário. Com o corpo claramente transformado, Julieta foi para a cama onde ficou de cócoras apoiada num aro de metal. A pediatra já foi sendo alertada, a obstetra foi se paramentar. Uma toalha úmida na testa apaziguava Julieta, que estava pronta. Nove meses de gestação, leituras, vídeos, conversas, doze horas de trabalho de parto, contrações, concentração, gana, a prepararam para aquele momento.

07 setembro, 2010

Esperando: semana 41

Dia primeiro de setembro fomos ao médico da Izabel, para que ele fizesse na Julieta uma sessão de acupuntura, avaliasse o colo do útero e receitasse medicações homeopáticas para estimular o trabalho de parto. Seu veredito foi o mesmo, colo fechadinho. No dia 3 de setembro voltamos à Dra. Daniela que ainda percebeu o colo fechado, mas a Manuela um pouco mais baixa. Voltaríamos dia 9 (data da 41º semana segundo o ultrassom) caso ela não viesse.

Julieta entrou numa de andar para todo lado, tudo para facilitar que a pequena viesse naturalmente. E toma suas bolinhas de homeopatia de 15 em 15 minutos.

Com a pediatra viajando no feriado de independência, combinamos com uma colega da Tia Sônia, que ela acompanharia o parto, se Manuela viesse neste período. Pelo menos a obstetra desistiu de viajar. Também estão em Cabo Frio, meus parentes, minha mãe voltaria a qualquer chamado nosso.

O fim de semana passou com tranquilidade e sem novidades, Julieta acordou sábado mais irritadiça, mas no fim do dia já estava de bem, no aniversário da Alice. Domingo foi mais de ficar em casa, só saímos para almoçar e ir ao supermercado. De tardinha descemos para a piscina onde Julieta fez bastante exercícios.

Na segunda estava no trabalho quando a Julieta me ligou, desconfiada de que tinha expulsado o tampão mucoso. Em conversa com a Mariana, Doula, ficou confirmado, só podia mesmo ser o tampão. À tarde, Julieta fez uma sessão de massagem com a Mariana, e quando fui buscá-la fomos convidados a um chá com ela e o marido. A massagem e o chá supostamente ajudam no estímulo ao TP.

7 de setembro, nosso aniversário de 2 anos de casados. Na madrugada nada, parece que Manuela vai mesmo deixar a data exclusiva para nós. Depois do café, conversando com a mãe no telefone, Julieta sentiu definitivamente o resto tampão saindo, agora sem margem para dúvidas. Em seguida, mais piscina e exercícios, almocinho para comemorar o aniversário de casamento e filme que não chegamos ao fim.

As contrações aumentaram, mas ainda bastante irregulares. Mesmo com elas se intrometendo de quando em quando, fomos ao Pizza Sur, celebrar. De volta, é hora de descansar.

Parece que vai ser 8/9/10!

31 agosto, 2010

Esperando: mês 9

Sim, o nono mês está oficialmente encerrado. Não a Manuela ainda não nasceu. São 40 semanas, 280 dias, mas ela ainda tem direito a mais alguns. Com isso seguimos esperando e depois o parto e nascimento ganhará post exclusivo.
Passei meu primeiro dia dos pais, com a rebenta no ventre. Ano que vem vai ser ainda mais divertido.
Ganhamos da Andreza a banheira, toda ergonômica, a luminária que faltava para o quarto dela chegou de Petropólis, com o carinho de Apolinário e Chris. Várias outras lembrancinhas acabaram de completar a decoração. O balde para banho genérico que comprei chegou, bem como o Sling, que a Julieta adorou, e ainda as fraldas de pano modernas que experimentaremos.
Houve aqui em casa, promovido pela Doula só para mulheres, um chá de despedida da barriga, de bençãos, com direito a escalda pés para a grávida.
Conseguimos participar do encontro do Núcleo bem nascer, deste mês, e tivemos ótimas conversas com os obstetras, Marco Aurélio e Quézia. Foi bom para acalmar nossa ansiedade. Se necessário for, estamos apostando nos métodos naturais para estimular o parto e fugirmos de uma cesárea.
Julieta tem se sentido bem, e os últimos ultrassons só mostram o quanto Manuela está saudável e com ambiente favorável para esperar o quanto precisar.
Domingo fomos ao maravilhoso Inhotim com Alice que se mudou do Rio para cá e vimos o mágico show do Uakti. Depois foi a festinha de 2 anos do Gabriel que estava exultante de alegria.
Hoje é dia 31 de agosto, data com que a Julieta sonhou ano passado, não calhou da nossa filha nascer neste dia, mas é um dia especial ainda assim e mais especial será o dia em que finalmente a conhecermos.

13 agosto, 2010

weezer is LOST

Weezer está perdido
A Banda anda errando tanto que até a referência a Lost no Album "Hurley" com o ator Jorge Garcia na capa veio com tipo seis meses de atraso.

O single "Memories" não empolga nada. Em novembro do ano passado escrevi sobre o Raditude, e nesse quase um ano praticamente não ouvi o disco, na verdade acho que nunca ouvi ele inteiro de uma vezada prestando atenção.
Ficam as memórias do tempo em que Weezer era tudo de bom.

Weezer é Lost

Pegando a deixa da brincadeira do Rivers Cuomo (que só agora começou a ver Lost), traço uma analogia que já me ocorrera antes, entre a banda Weezer e a série Lost.

As três primeiras temporadas de Lost são excelentes.
Os três primeiros discos do Weezer são excelentes.
Continuei acompanhando Lost e gostando, depois disso.
Continuei acompanhando Weezer e gostando, depois disso.
Havia episódios muito bons nas temporadas um tanto falhas.
Havia músicas muito boas nos álbuns um tanto falhos.
Por apego vi Lost até o final.
Por apego ouço Weezer até hoje.
Ver "Walkabout" (Quarto episódio da primeira temporada) passou a ser uma triste lembrança de como Lost já foi bom.
Ouvir "Buddy Holly" (Quarta faixa do primeiro álbum) passou a ser uma triste lembrança de como Weezer já foi bom.
Como fã é duro assumir que o final de Lost foi bem fraco.
Como fã é duro assumir que Weezer está bem fraco.
Para sempre Lost será uma referência pop, para mim e quero rever com meus filhos.
Para sempre Weezer será uma referência pop, para mim e quero ouvir com meus filhos.

Fico por aqui, Namastê =w=

30 julho, 2010

Esperando: mês 8

A espera vai terminando. O quarto dela já está montado. Decidimos não fazer chá de bebê, já temos ganhado tanta coisa. Houve o chá da Ana Carolina, muito especial, o pessoal veio do Rio e os Meireles fizeram uma grande festa. Sobrou presente até para a Manuela. As priminhas se encontraram nas barrigas pela última vez, agora só do lado de cá, provavelmente no Natal.

Decidimos o local do parto, Maternidade Unimed, mais especificamente na suíte PPP (pré-parto, parto e pós-parto), onde ela vai nascer e permanecer todo o tempo conosco. A ideia e ter o parto sem analgesia e com participação ativa da mãe. Contratamos uma Doula que vai ajudar em todo o processo, desde lá de casa.

Participamos de mais uma etapa do curso de Parto Normal do Núcleo Bem Nascer, esta sobre amamentação, foi também muito proveitoso. Mês que vem acho difícil de ainda estarmos grávidos, mas pode ser.

Estamos nos munindo dos melhores aparatos para melhor cuidar da Manuela, depois falo mais deles. O Xande também trouxe dos EUA muitas coisas para ela, bonitinhas e práticas. Ganhamos o carrinho, e a banheira já está prometida.

Manuela continua mexendo muito, sem parar, Julieta vai sentir falta. Mas nesta altura a barriga já começa a pesar; o nono mês, dizem, não é fácil.

12 julho, 2010

Personagens e Imagens da Copa 2010 (para além do futebol)

A Copa do Mundo FIFA é sempre um espetáculo, independentemente do bom (ou mau) futebol. A edição deste ano na África do Sul teve seus fatos marcantes, vamos aos que me chegam à mente após a final que sagrou a Espanha campeã do Mundo.

Jabulani
A bola mais famosa de todos os tempos já deu o que falar antes mesmo de correr nos campos africanos.


Ei-la nas mãos da Shakira (Waka-waka) outra pesonagem deste Mundial.


Vuvuzela
A famigerada corneta, tradicional na África do Sul, sempre esteve presente em época de copa no Brasil, mas nunca com tanta notoriedade. Encheu os ouvidos de jogadores e árbitros em campo, e dos telespectadores mundo a fora. Ameçou-se até uma proibição delas nos estádios, mas no fim até o YouTube se rendeu e criou um "botão vuvuzela".



Dunga e a imprensa

Deu o que falar a relação conflituosa do técnico do Brasil com os órgãos de mídia. Não há ninguém cem por cento certo ou errado neste embate. Contudo, um episódio foi emblemático:


Maradona fanfarrão

Don Diego não perdeu a estrela. Técnico da seleção argentina chamou para si a atenção, nas coletivas, no pré-jogo, à beira do gramado, no luto pós-eliminação. Maradona, que por sorte não teve de cumprir sua promessa de sair pelado, mostrou que a jabulani é sua amiga:


La decadence Francese

Não só a vice de 2006, como também a campeã, Itália, ficaram na primeira fase da copa 2010. Entretanto, os barracos que os franceses protagonizaram ficaram para os anais. Ofensas, dispensas, demissões, e o toco do Domenech em Parreira foram uns dos atos deste drama bleu.




Larissa Riquelme

A periguete paraguaia robou a cena com seu celular dentro da área de serviço.


Mick Jagger, o pé frio

O vocalista dos Rolling Stones torceu para os EUA, para Inglaterra, pro Brasil e deu no que deu. Saravá, Mick!


Povo Paul, o vidente

O molusco alemão cravou os vencedores de todos os jogos da Alemanha e de quebra a final.



Os Holandeses e as Holandesas

Fora o show a parte da torcida feminina dos Países Baixos. Um fato foi notável, contrastando com a clausura de Dunga e seus pupilos, os jogadores holandeses ganharam um dia (noite) com as namoradas. A cena da despedida é legendária.



Casillas y el beso

O capitão campeão e a bela repórter espanhola foram alvos de críticas, mas no final saíram por cima. ¡Dále Iker!


Transmissão

Mais do que nunca (ô loco bixo), este foi um espetáculo televisivo, foi para mim (e muitos outros) a primeira copa em HD. Houve transmissão em 3D também, de todos os jogos. As mais 30 cameras não perderam um lance, nem a melecada do Joachim Löw ,que preferíamos não ter visto. As câmeras captam mil quadros por segundo, normalmente são 30, possibilitando um slow-motion incrível. Tinha ainda a skycam com quadros fantásticos. Vai ser difícil assistir a futebol comunzão doravante.

Twitter

Inegavelmente esta foi a copa do Twitter,  em 2006 ele não existia, até 2014 só Deus sabe o que terá surgido. O site nesta copa "baleiou" como só nos seus primórdios. Viu-se o fenômeno CALA BOCA GALVAO, proliferar mundo a fora, depois foi a vez dos #felipemelofacts dominarem. Outra novidade foram os live tweets da copa.

Update:
 Copa Aleixo

Tinha me esquecido de citar o programa que fez minha diversão antes e durante a Copa. Bruno Aleixo sempre impagável, conduziu mesas redondas sobre cada seleção do Mundial. E comentou os jogos da Copa Sulafricana. Imperdível.

02 julho, 2010

Esperando: mês 7

Neste mês de Copa do Mundo e trabalho novo, compramos (ganhamos) praticamente tudo do quarto da Manuela; Um berço que depois vira cama e outros móveis, poltrona de amamentar, cubos para enfeites. Na porta já tem a letra M em lilás, feita pela Lora Dobbin.
Fomos ao curso de casal grávido que no Mater Dei se mostrou uma decepção, com uma turma enorme e pouco acrescentando ao que já havíamos lido e ouvido por aí. Aprofundamos as leituras sobre gestação, parto e amamentação, com isso vamos traçando os planos para a chegada da Manuela. Participamos também do Curso de preparação para o Parto Normal, cujo módulo era sobre Cesariana, indicações e pós-operatório. A discussão conduzida pelo pessoal do Núcleo Bem Nascer foi bem mais aprofundada e aberta, com uma turma menor e mais interativa.
No ultrassom de 31 semanas Manuela estava super ativa, pegando o pézinho e colocando na testa. Já dá para ver feições mais claramente, sua estimativa de peso é 1,6kg, chegando à quadragésima semana com três e pouco. O bom também é que ela já virou e deve permanecer encaixada para o dia do parto.
Conhecemos a pediatra que provavelmente acompanhará o parto e os primeiros meses da Manuela, é uma médica da linha da antroposofia.

18 junho, 2010

O dia em que apertei a mão de Saramago

Minha vida mudou no dia em que meu amigo Reynaldo me emprestou um exemplar do livro "Ensaio sobre a Cegueira" do então recentemente laureado Nobel de Literatura José Saramago. Era todo um mundo novo de sensações e imagens, estilo e linguagem.

Desde então li muitos outros livros do Saramago, com destaque para "O evangelho segundo Jesus Cristo", que comprei num sebo no Maletta com intuito de ler durante minha viagem de mochilão à Espanha. E assim foi, comecei no avião e terminei alguns dias após voltar ao Brasil. Aqueles personagens me fizeram companhia e me conectavam com o português. Saramago me fez admirar mais e mais nossa língua e nossa relação com Portugal e outros lusófonos.

Certo dia soube que Saramago viria a Belo Horizonte em 30 de outubro de 2005. Valeu a correria para comprar o livro que ele vinha lançar, "As intermitências da morte". Valeu a espera para conseguir entrar no Grande Teatro do Palácio das Artes cujos mais de 1500 lugares estavam lotados.

Entrou aquele senhor de mais de 80 anos, alto e vigoroso, aplaudido de pé. Na sua firme serenidade, falou sobre o livro e sobre diversas questões. Não se deteve em criticar a perfomance que uniu um violoncelista a dois atores lendo passagem de seu romance.

Ao final uma sessão de autógrafos, uma enorme fila e na ponta José Saramago solícito e altivo. Assinou meu "As intermitências da morte", como combinado, escrevendo apenas seu nome e data. Pedi-lhe então que autografasse também "Ensaio sobre a Cegueira" que havia presenteado a Julieta. Foi quando ela lhe disse "O evangelho segundo Jesus Cristo mudou minha vida, agora estou lendo o Ensaio sobre a Cegueira" e José respondeu, levemente sorrindo, "e estás a tornar a mudar", ou algo assim. E nos apertou as mãos. Valeu Saramago!

Hoje recebo a notícia de sua morte e, apegado, penso que o queria mais entre nós. Ateu que era consideraria este o fim definitivo de sua existência, mas sua obra o eterniza. E de todo modo vale a frase inicial do livro que tenho autografado "No dia seguinte ninguém morreu" o que se torna hoje verdade, ao menos para ele.

Fotos daquele dia.

31 maio, 2010

Esperando: mês 6

Completei 29 anos e faltam apenas três meses para Manuela chegar. Julieta está já sentindo as consequências da barriga, dor nas costa, falta de ar, azia. Soubemos que o bebê da Natália também é menina, Ana Carolina. Fomos ao Rio para o batizado da Helena, foi a chance do pessoal de lá ver a barriga, porque viajar de avião já não dá para Julieta, na volta ela se sentiu muito mal.

Manuela tem mexido bastante e eu já senti com a mão, às vezes dá até para ver o movimento. Mais e mais queremos ela aqui perto, chorando, mamando, dormindo.

24 abril, 2010

Esperando: mês 5

A vida em seus caminhos tortos nos surpreendeu mais uma vez e outra perda irreparável nos assolou. Tita tão querida e sempre alegre deixou este mundo, deixou seu pai, seus irmãos, seus filhos e, como a vida sempre se renova, seu netinho que virá. Ficam as histórias a serem contadas para ele (ou ela) e para sua prima, Manuela. Sim, esperamos uma menina, que se chamará Manuela. Com muita alegria descobrimos o sexo do bebê e descobrimos que os palpites estavam certos, inclusive daqueles que deram presentes bem femininos, confiando na intuição.

Fomos no hospital fazer o ultrassom, Julieta, minha mãe, minha irmã e eu. Segue o vídeo deste momento;



Neste quinto mês a barriga cresceu de vez e mais ninguém , nas filas preferenciais, duvida que a Julieta está grávida. Julieta já sente ela se mexendo, tem passado bem, salvo esporádicos enjoos e uma dor no cóccix, que deve levá-la a fazer fisioterapia.

Bem menininha, Manuela já tem uma gaveta cheia de sapatinhos e um par de brincos de pérola com brilhante dados por sua bisavó Maria.

22 março, 2010

Esperando: mês 4

Neste mês o bebê no ventre materno entrou no palco. Encontramos nossa nova casa, nos mudamos. O quarto do bebê está vazio, mas com os armários cheios de presentes. Na segunda consulta ouvimos seu coração galopante. Fica ainda para o próximo mês a descoberta do sexo.

O mês passou voando, a barriga vai crescendo e vamos nos encontrando.

18 fevereiro, 2010

Esperando: mês 3

Neste mês tivemos uma perda enorme. Minha amada avó e madrinha se foi. Tenho pena que ela tenha conhecido seu bisneto. Fico feliz, contudo, de ter podido dar a notícia a ela e que ela tenha curtido a alegria de ser bisavó por uns dias.

Trouxemos tudo que era nosso do Rio de Janeiro, entregamos o apartamento e seguimos procurando nossa casa em Belo Horizonte. A primeira consulta com a Dra. Daniela foi ótima e os exames comprovam uma gestação sadia. Uma infecção urinária já foi combatida e só restam ainda os enjoos cada vez menos frequentes.

A emoção maior ficou por conta do primeiro ultrassom. Pudemos ver claramente o bebê que se movimenta sem parar e ouvir seu coração pulsar a 170 batimentos por minuto. Todos os indícios são de um feto 100% saudável. A placenta é que se encontra baixa, mas com grandes possibilidades de se deslocar e não acarretar problemas futuros. Se será Francisco ou Manuela, fica para ser descoberto na próxima ultrassonografia.

Saudade, ansiedade e muita felicidade foi a tônica deste terceiro mês.


24 janeiro, 2010

Esperando: mês 2

O segundo mês foi marcado por muito calor e enjoo. Recebemos também os primeiros presentes, um pagãozinho vindo da Bahia dado pela Paula. Um macacãozinho de patinho, presente da Amanda e família. Chegamos a visitar alguns apartamentos no Rio de Janeiro para nos mudar.

Houve então a triste notícia da minha vó, que segue internada em estado delicado. Fomos às pressas para Belo Horizonte, onde mesmo dentre a crise nos sentimos bem. O Leo meu amigo e a Lígia nos visitaram. Izabel nos presenteou com uma bolsa cheia de roupinhas de recém-nascido. A Branca trouxe presente da viagem e um ursinho mandado pela Marilda. E mais o berço prometido por minha mãe.

De volta ao calor do Rio, tomamos uma decisão de grandes consequências; vamos nos mudar para Belo Horizonte. Há pouco a ser abandonado aqui, Julieta pediu demissão na loja, e pediu para sair da peça, cuja primeira reunião se revelou pouco animadora. Devolveremos o apartamento para o Bernardo um mês antes do contrato findar.

Para terminar tivemos a notícia de um priminho que nascerá pertinho do nosso. Muita alegria e esperança, neste mês conturbado.

Ah, e os nomes finalistas já estão definidos.

22 janeiro, 2010

Foi um Rio que passou em minha vida

Coisas de que vou sentir saudade do Rio:

  • Vista do Cristo da Janela
  • Visitas ao Professor Dobbin
  • Padeiro na porta de casa
  • Saber que o mar está logo ali
  • Feira de sábado na Gal. Glicério

Coisas de que não vou sentir saudade do Rio:

  • Os motoristas de ônibus malucos
  • O calor excessivo e úmido
  • A falta de ordem
  • A malandragem ímproba
  • Os motoqueiros buzinando

10 janeiro, 2010

Esperando: mês 1

O primeiro mês esperando começou fora de ordem cronológica. Era 6 de janeiro de 2010, quando Julieta ouviu o laudo pelo telefone que a levou a perguntar “O que significa isso?”, sem obter resposta definitiva. Seu nível de hormônio Beta HCG estava alto e devíamos consultar uma tabela na internet. Quando ela me disse o valor de nove mil e setenta e sete, baseado em experiência prévia, já disse com convicção “Está grávida.” A tabela veio dizer que estávamos por volta da quarta ou quinta semana de gestação.
O começo real, a concepção, se deu, desapercebidamente, em dezembro de 2009. Época em que estava me preparando para o concurso do IPHAN, em que completávamos 6 anos juntos, quando o Flamengo foi campeão brasileiro, e quando houve a passagem da Dinda (Julieta).
No princípio é tudo muito abstrato, mesmo para Julieta, quanto mais para mim. Os seios estão maiores, nada mais se percebe. Diferentemente de outras possíveis vezes não fiquei ansioso, nem pensei muito concretamente nos desdobramentos, mas agora era um fato.
Era hora de comunicar aos queridos. O primeiro a saber foi o João, que casualmente atendeu ao telefone, Gabriel ganhará um priminho. Daí foi a vez de Isabel que quase não acreditou. Na minha casa, calhou de estarem ao redor de minha mãe, ao saber que seria vovó, uma plateia animada de futuros tios e bisavó. Meu pai soube depois por essa mesma turma, está registrado em vídeo.
Professor Dobbin ficou muito feliz e minha vó Dalva teve motivo para se alegrar em meio à dor. Seguiram-se vários telefonemas, emails, mensagens de todo tipo. O que só fez concretizar mais o rebento vindouro.
Na sexta-feira dia 8 fui à rua comprar um suplemento indicado para gestante e comprei o primeiro presente do pequeno, um par de sapatinhos amarelos. Mais tarde foi a hora de fazer e plano de saúde para Julieta.
Foi preciso comunicar também a diretora das peças que Julieta encenará que para seu alívio recebeu a notícia com rejúbilo e sem ressalvas ao trabalho a ser feito.
A busca por possíveis nomes já começou com tudo, até se antecipando ao exame. Os candidatos estão na mesa.
Sábado o calor castigou aqui no Rio, e o passeio na feira foi sofrido para Julieta. À noite fomos a uma festa de aniversário e o que a incomodou foi só o dedo do pé fraturado. Domingo foi a vez da prima Paula traz uma Chandon para brindarmos.
A espera para que os sapatinhos sejam preenchidos está apenas começando.

30 dezembro, 2009

Melhores filmes da década de 2000.

Comecemos pelos 20 em ordem cronológica:



2000 - Amores Perros, A. G. Iñarritu

2001 - Lavoura Arcaica, L. F. Carvalho

2001 - Lucía y el sexo, Julio Medem

2001 - Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet

2001 - Y tu mamá también, Alfonso Cuarón

2001 - Mulholland Drive, David Lynch

2001 - El hijo de la novia, J. J. Campanella

2002 - Cidade de Deus, Fernando Meirelles

2002 - Hable con Ella, Pedro Almodóvar

2002 - Ônibus 174 + 2007 - Tropa de Elite, José Padilha

2003 - Dogville, Lars von Trier

2003 - Les Invasions barbares, Denys Arcand

2004 - Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry

2004 - Closer, Mike Nichols

2005 - Match Point, Woody Allen

2005 - Um Crime Delicado, Beto Brant

2006 - Once, John Carney

2006 - O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia

2006 - El Laberinto del Fauno, Guillermo del Toro

2007 - 4 luni, 3 saptamâni si 2 zile, Cristian Mungiu


É isso. Há um bom número de filmes brasileiros, latinos, americanos, quando não foi minha intenção primeira equilibrar isso. Não repeti nenhum diretor, mas estão aí alguns de meus favoritos, não só desta década.

Não queria adicionar documentários, que acrescentaria Bowling for Columbine, Grizzly Man, Janela da Alma, Edifício Master, Jogo de Cena, e tantos outros. Mas não pude deixar de fora Ônibus 174 que uni ao seu co-irmão Tropa de Elite.

Curioso como tantos bons filmes foram produzidos em 2001. A falta de filmes dos dois últimos anos talvez se dê pela necessidade de mais tempo para os filmes se depurarem. Houve grandes filmes em 2008, haja vista There will be blood, No country for old men, Entre les Murs, Leonera dentre outros. E neste ano de 2009 teve o duplo Che, Antichrist e vários que ainda não vi, inclusive Avatar.

Destaco também para meu divertimento os filmes baseados nos quadrinhos, especialmente as ótimas trilogias X-Men e Homem-Aranha, os dois novos do Batman e Watchmen.

Há de mencionar também as animações por computador que trouxeram diversão para crianças e adultos como boas histórias, visual instigante e críticas sociais.


05 dezembro, 2009

Série séries #10

Sex and the City

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Vi Sex and the city pela primeira vez quando ainda tinha HBO em casa. De cara a série me cativou; um texto criativo, inteligente, atual. Mais tarde sem HBO passei a assistir pelo Multishow. A série foi criada por Darren Star baseado no livro de Candace Bushnell, seu principal roteirista foi Michael Patrick King que viria a dirigir o longa.

Com maior ou menor afinco acompanhei até o final. Muitos anos depois, em Londres, não pude deixar de ir ver o filme. Até me diverti, mas afinal ali uma futilidade e uma ode ao consumismo que na TV não era tão evidente.

Alguns meses depois compilei uma lista com os mais bem cotados episódios e revi em ordem. A série é muito boa mesmo. Não devem ser poucos os grupos de amigas que elegem suas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda.

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E revendo o filme, suas falhas se destacam, mas entendo que é fácil gostar uma vez que já entramos no cinema como quem vai rever velhos amigos.

01 dezembro, 2009

Pequenas Lembranças #11

Os As

Se eu tive quando bebê a Rosa, que era empregada lá em casa, praticamente uma babá, a quem me apeguei muito. O Xande, meu irmão, teve a Alcione, que não sei por que cargas d’água ele chamava de Mon.

Eu devia ter cinco anos, e Dedê era um bebê de colo. Uma vez a emprega disse, empolgada, que todos eles tinham um nome que começa com A. Minha lógica, estritamente fonética, e meu sentimento de exclusão não me deixaram concordar. Argumentei, não nada disso; Alexandre só que é com A. Alcione é com Al. E Andreza é com An.

04 novembro, 2009

Raditude =w=

Há mais de um ano escrevi aqui sobre minhas impressão a cerca do Red Album do Weezer.

Em 1998, meu amigo Reynaldo me deu um CD pirata com o Blue Album da banda, já conhecia algumas músicas e pirei no álbum. Depois ele me emprestou sua cópia autêntica do Pinkerton, que a princípio soou estranho, mas logo se tornou meu disco favorito.
Alguns anos depois compramos via internet o Green Album, importado. Foi caro e para nós fãs valeu a pena, afinal era uma volta do Weezer após anos de inatividade.
Em 2002, estava na Espanha quando o Maladroit foi lançado e comprei duas cópias, uma para mim outra para o Reynaldo.
Depois veio o Make Believe que novamente compramos on-line. Album cuja turnê incluía o Brasil, e não podemos deixar de ir a Curitiba, para um show que foi marcante.
Em 2008 estava eu em Londres e no dia do lançamento do Red Album tratei de comprar o meu, na Zavvi de Oxford Street, antiga Virgin Mega Store, hoje também de portas fechadas.

Pois agora, novembro de 2009, lançaram o novo Raditude. Vendo os esforços de venda da banda, com a história do Snuggie e tudo mais, pensei em comprar o álbum na Amazon MP3, apenas para descobrir que o serviço não está disponível fora dos EUA. Na iTunes store achei o preço alto. Então resolvi baixar no bom e velho Pirate Bay.

Ainda não ouvi, então sobre ele não comento além da música de trabalho (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To que não impolga, mas não chega a incomodar e tem um clipe legalzinho, sem o quê a mais que Porks and Beans tinha.

Contudo, o que motivou o post foi a apresentação da banda no programa do David Letterman, que me remeteu a apresentações anteriores do Weezer no talk-show.

Tudo começou com Say it ain't so. Música preferida de muita gente, nunca esteve no topo da minha lista. É muito boa e deixa saudades do velho Weezer.



Depois teve Keep Fishin' do malfadado Maladroit, disco de que sempre gostei, e está pra mim é a melhor apresentação deles no Late Show.



Em seguida foi Beverly Hills o single que mais me causou estranheza à época, eu não gostava mesmo da música. Hoje acho legalzinha.



Terminando com a novíssima (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To, com performance animada que fez crescer minha estima pela canção.




Curioso ver a evolução (e o envelhecimento) da banda, do David, e até a volta do LP (ou pelo menos a capa grande já que o CD hoje não vale de nada) no último vídeo.

27 outubro, 2009

Top 50 em 2009

Segue uma atualização dos 50 filmes da minha predileção; sob a ótica dos meus 28 anos:

1.    O Gabinete do Dr. Caligari - Robert Wiene, 1919
2.    Em busca do ouro - Charlie Chaplin, 1925
3.    O Encouraçado Potemkin - Sergei Eisenstein, 1925
4.    Sem novidades no front - Lewis Milestone, 1930
5.    Luzes da Cidade - Charlie Chaplin, 1931
6.    Diabo a quatro - Leo McCarey, 1933
7.    Cidadão Kane - Orson Welles, 1941
8.    Casablanca - Michael Curtiz, 1942
9.    Ladrões de Bicicleta - Vittorio de Sica, 1948
10.    Crepúsculo dos Deuses - Billy Wilder, 1950
11.    Um bonde chamado desejo - Elia Kazan, 1951
12.    Cantando na Chuva - S. Donen, G. Kelly, 1952
13.    Janela Indiscreta - Alfred Hitchcock, 1954
14.    Noites de Cabíria - Federico Fellini, 1957
15.    Quanto mais quente melhor - Billy Wilder, 1959
16.    Os Incompreendidos - François Truffaut, 1959
17.    Psicose - Alfred Hitchcock, 1960
18.    La Dolce Vita - Federico Fellini, 1960
19.    Acossado - Jean Luc Godard, 1960
20.    O Anjo Exterminador - Luis Buñuel, 1962
21.    Deus e o Diabo na Terra do Sol - Glauber Rocha, 1964
22.    A primeira noite de um homem - Mike Nichols, 1967
23.    2001, uma odisséia no espaço - Stanley Kubrick, 1968
24.    Era uma vez no oeste - Sergio Leone, 1968
25.    Perdidos na noite - John Schlesinger, 1969
26.    Laranja Mecânica - Stanley Kubrick, 1971
27.    Gritos e Sussurros - Ingmar Bergman, 1972
28.    O Poderoso Chefão - Francis Ford Coppola, 1972
29.    O Poderoso Chefão-Parte II -Francis Ford Coppola,1974
30.    Um dia de cão - Sidney Lumet, 1975
31.    Um estranho no ninho - Milos Forman, 1975
32.    Taxi Driver - Martin Scorsese, 1976
33.    Annie Hall - Woody Allen, 1977
34.    Manhattan - Woody Allen, 1979
35.    Touro Indomável - Martin Scorsese, 1980
36.    Scarface - Brian de Palma, 1983
37.    O Baile - Ettore Scola, 1984
38.    Paris, Texas - Wim Wenders, 1984
39.    De volta para o futuro - Robert Zemeckis, 1987
40.    A dupla vida de Veronique - Krzysztof Kieslowski, 1991
41.    A Liberdade é Azul - Krzysztof Kieslowski, 1993
42.    A Igualdade é Branca - Krzysztof Kieslowski, 1993
43.    A Fraternidade é Vermelha - Krzysztof Kieslowski, 1994
44.    Central do Brasil - Walter Salles, 1998
45.    Fale com ela - Pedro Almodóvar, 2002
46.    Cidade de Deus - Fernando Meirelles, 2002
47.    Closer - Mike Nichols, 2004
48.    Eternal Sunshine of The Spotless Mind - Michel Gondry, 2004
49.    O Cheiro do ralo - Heitor Dhalia, 2006
50.    Tropa de Elite - José Padilha ,2007

16 agosto, 2009

London Log

Acabou-se o relato de nossa vida em Londres.
Faltou muito o que contar.
Vivemos tudo intensamente.
Ficam as lembranças e nós também passamos a ser lembranças de outros.
O Mundo ficou menor.
Agora o recomeço, sob o sol.

09 julho, 2009

“família de espírito” de Saramago

“Em primeiro lugar Camões porque todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.”

Na minha genealogia entra Machado de Assis, entra Nelson Rodrigues, Jorge Amado, García Márquez, e claro José Saramago.


Update: Atendendo ao pedido do LEo. Colo o que escrevi num trabalho do mestrado:

the conciseness and intensity of Nelson Rodrigues; the criticism and elegance of José Saramago; the imagery and light-heartedness of Gabriel García Márquez.

E acrescento que Machado é a quintessência da nossa literatura, retrato de um Brasil ainda incipiente e do ser humano atemporal.

Sobre Jorge Amado recorro novamente ao José Saramago:
"Durante muitos anos Jorge Amado quis e soube ser a voz, o sentido e a alegria do Brasil. Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro. Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado. E para muita gente foi uma surpresa descobrir nos livros de Jorge Amado, com a mais transparente das evidências, a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira."

Pena que hoje só haja Paulo Coelho "representando" nossa literatura nas prateleiras mundo afora.

03 junho, 2009

Viajante

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já."

Viagem a Portugal de José Saramago

17 abril, 2009

Fragmentos #3

Era escuro e frio. A esperança se esvaía pouco a pouco, o fio tênue que restava era o que lhes mantinha vivos. A mais obscura face da natureza humana se revelou sem censura. Dor e sofrimento se ressignificavam naquele lugar infame. Tampouco alegria tinha ali o mesmo sentido.

A luz do sol matutina e sorrateira entrava, e seu efeito não era o esperado. Permanecia escuro e frio. Que lugar é esse onde nem o sol dá jeito?

15 abril, 2009

Coffee

- Coffee?

- Sure.

-  I really got to disagree with you, though.

- I knew you would.

- Am I really that predictable?

- That’s not the point. But when you know someone for over three decades…

- What? Now I am worried. You come here make conversation, start talking about
all this serious shit, and now imply that you know me for over three decades. I’m
only thirty-five, you know?


- You got me wrong.

- I think you got everything wrong, sir.

- I didn’t mean to scare you.

- But you sure did.

- Sorry. Could you bring me a doughnut please? You know, you shouldn’t take life so seriously.

- Well, life is the only thing worthy taking seriously.

- Now, I got to disagree with you, lady. Life must be easy. We are not here for
long. It is a sure thing that we’re all going to go. Yet we keep counting our
time here. Now, this doughnut is a serious thing! Do you know what would be better?


- Muffins?

- No. I mean better than counting the years we have been in this world; to count
the time remaining for us here. A countdown.


- We wouldn’t know. Nobody does.

- Well, I’ll be twenty-five next week.

- Really? You look like you are in your late thirties.

- You got me wrong again. I mean in twenty-five years and seven days I’ll be six feet under.

- You’re crazy.

- And you are thirty-nine.

- W-What?!

- I mean, you will be forty years old next month.

- How rude.

- You shouldn’t be sad or upset. You are every bit as beautiful as a thirty-nine-year-old.

- Who the hell are you anyway?

- Does it matter?

- Nobody knows I’m thirty-nine.

- I do.

- That’s the problem.

- On the contrary, ours is a more sincere relationship than any other you have.

- We don’t have a relationship.

- Maybe not yet. Do you see this painting behind me?

- Yes.

- It wasn’t a work of art before the painter finished the whole frame. Now it’s
known worldwide and you have a replica here. But first, Leonardo had to begin it.


- Are you comparing yourself to Da Vinci?

- No. I’m comparing you to Mona Lisa. Or even better, us.

- Do you think the Mona Lisa was meant to be?

-Absolutely. There are some things that are just meant to be, they are part of the universal
plan. No matter what, Leonardo Da Vinci would always paint the Mona Lisa,
anyhow. We, you and I, can start all over again, in a different way, but anyway…


- …We will end up together…

- Coffee?

- Sure.



 Leonardo Cunha

30 março, 2009

Correr

Não queria nada senão correr.
Mas já não corria havia tempo.
As crianças correm, aos velhos
resta contemplar. E na alma,
sem idade, nutrir o desejo infantil
de ir-se contra o vento,
que no instante da corrida
se une ao corpo, fluido e etéreo.
Nunca mais correria, pois
o corpo como um cárcere
não o permitia. Assim que no
momento derradeiro, seu corpo
finalmente se uniu ao vento,
levando a alma eterna
para um passeio lúdico,
definitivo.

06 março, 2009

Who watches the Watchmen?

I've watched, the film.
Quase tão bom quanto a Revista. Quase. Mas ainda um deleite.
Veja o filme e (principalmente) leia o livro!

Update:
Só a sequência incial já valeria o filme:

04 março, 2009

Conselho

Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos

Saramago, sempre ele, fala da urgência de reparar, de combater a cegueira. Será porque este nosso mundo necessita de combater as sombras? ele pergunta.

Sem porquês fica o conselho seguem-no os perspicazes.

23 janeiro, 2009

Amado, Saramago


Dois gênios da língua portuguesa daqui e dacolá, que com tantos momentos sublimes nos presenteiam.

19 janeiro, 2009

Desabafo (outra boa palavra do português)

"Mas antes de partir faria um pronunciamento em língua portuguesa, num português brasileiro e muito chulo, com palavras oxítonas terminadas em ão, e com nomes de árvores indígenas e pratos africanos que a apavorassem, um linguagem que reduzisse seu húngaro a zero."

Chico Buarque ou Zsoze Kósta

24 dezembro, 2008

Borgeando

A verdade é que vivemos adiando tudo o que é adiável; talvez todos nós saibamos no fundo que somos imortais e que, cedo ou tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.

J. L. Borges

13 dezembro, 2008

60 anos Direitos Humanos

A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

“'E agora, que fazemos, que podemos nós fazer?'
Quase sem ter de pensar, respondi-lhe: 'Queres uma causa? Tens aí os direitos humanos.'
O mundo não daria pela falta se a Declaração fosse dada amanhã como nula e inexistente. O seu desaparecimento físico viria apenas confirmar a realidade objectiva da ineficácia de um texto cheio de boas intenções, reduzidas hoje a zero pela inoperância das entidades políticas responsáveis, a começar pelos governos e a terminar nas próprias Nações Unidas.” José Saramago


"Completei 60 anos a 10 de dezembro. Sou um dos mais destacados consensos entre os associados à ONU. Fui aprovada por 192 países. No entanto, raros os que me respeitam.
Infelizmente não recebi, até hoje, aprovação do Estado do Vaticano. Logo ele, que se propõe a defender os valores encarnados por Jesus, que coincidem com os meus.
Sou um projeto de futuro. Só à medida que eu for assumida e respeitada a humanidade haverá de desfrutar a felicidade como experiência pessoal e fenômeno coletivo.
Meu nome é Declaração Universal dos Direitos Humanos."
Frei Betto

13 novembro, 2008

10 anos

Há exatos dez anos acontecia minha festa de formatura no Santo Antônio. Foi uma noite divertida. Acima de tudo foi uma celebração do encerramento de 12 anos num colégio onde muito aprendi. Onde conheci algumas da melhores pessoas que passaram por minha vida.
13 de novembro de 1998, eu tinha 17 anos e meio.
Nesta foto do meu casamento estão alguns desses amigos que estavam lá.
O Gabriel, de bico, que só conheci em 1999 na Faculdade.
O Carrrara, desde 1994, Rey desde 1997, Samartini e Leo desde 1991.

24 outubro, 2008

Aprendiz

"Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser"

Vinícius de Moraes

30 agosto, 2008

Que nem Drumond

Leonardo amava Julieta que amava João
que amava Juliana que amava Gabriel
que era amado por todos.

21 julho, 2008

Pequenas Lembranças #10

Jogo

Quando era pequeno gostava de viajar sentado no banco de trás com os cotovelos apoiados nos bancos da frente, mirando reto a estrada. Assim evitava o enjoo. Certa vez lembro de viajar com meu pai e meu avô, seu pai. Mal o vovô acendeu um cigarro, não pude conter o vômito. Mas o que motivou o post foi um jogo que Vô Iraci fazia quando viajamos. Cada caminhão que vinha no sentido oposto da rodovia que fosse da Mercedes Benz representava um ponto para ele; todos de qualquer outra marca era ponto para mim. Lembro que ele ganhava quase sempre.

12 julho, 2008

Série séries #9

Cidade dos Homens

Dou um salto cronológico nesta série, para falar da melhor coisa que vi na Televisão brasileira, possivelmente, em toda minha vida. De fato, pela TV vi pouco, quase nada.

Cidade dos Homens produzida pela O2 foi exibida na Globo de 2002 a 2005. Conta a história da amizade dos personagens criados para o Curta-metragem que precedeu Cidade de Deus, Laranjinha e Acerola. A equipe de criação contou com profissionais da mais alta categoria, como, Cesar Charlone, Fernando Meireles, Jorge Furtado, Guel Arraes, Paulo Moreli, Regina Casé, Cao Hamburguer, Casseta & Planeta, etc. Aqui em Londres a série é bem afamada. E a biblioteca da minha Universidade tem DVDs com todos os capítulos. Assisti então a todos e me encantava e impressionava com a qualidade do programa. Roteiro, fotografia, edição tudo impecável, destaque para a atuação de Douglas Silva, que foi inclusive indicado ao Emmy.

O primeiro episódio é um primor. Apenas alguns da última temporada ficaram mais abaixo da média. Revi o longa que sucedeu o série e gostei mais desta vez. As partes do tráfico que me incomodavam muito, ficaram mais palatáveis, pois conhecia os personagens e suas dinâmicas.

Se não viu ainda corra e alugue ou baixe na internet, Cidade dos Homens.



10 julho, 2008

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Há pouco tempo vivia num lugar sem passado.

Agora já há espaço para a nostalgia.

16 junho, 2008

Weezer - Red Album



Muito bem, mais um disco do Weezer. Banda que carrega o status de minha banda preferida em atividade. A competição ficou fácil com o Los hermanos fora do páreo. Não escuto muito das coisas novas que surgem, nada novo me chama atenção há algum tempo, talvez desde Is this it?. No mais Rock não está dominando meu Laptop hoje em dia.
Mas voltemos ao Weezer no seu sexto Album, o terceiro Self-titled. Depois do Azul e do Verde, agora é vez do Vermelho. Já tinha ouvido "Porks and Beans" a música é legal, e o vídeo, com referências e reverências aos hypes do YouTube é demais.
O CD tem as tradicionais 10 faixas, mais quatro bonus na edição Deluxe e ainda mais duas extras na versão Britânica.
"Troublemaker" a primeira faz uma apresentação à-la "My Name is Jonas", como pontuou o próprio Rivers Cuomo. As canções são bem auto-biográficas como de costume. Mas faltam a vitalidade das antigas. "Dreamin' " é a alegrinha da vez. Em "Thought I Knew" composta por Brian Bell, a banda troca de funções e esta surge como uma das mais diferentes e interessantes faixas do álbum.
A que me causou melhor impressão, contudo, foi "Cold Dark World" cuja melódia é do baixista Scott Shriner. A décima, "The Angel and the One", é como reza a tradição uma música mais melancólica.
As bonus-tracks também valem a pena, especialmente "Miss Sweeney", a preferida de Brian.
As impressões sobre as músicas mudam após várias audições. Mas uma coisa é fato há anos Weezer não é mais o que era, e a impressão causada pelo Blue Album ou pelo Pinkerton, dificilmente vai ser igualada.

27 maio, 2008

Guitar #7

Ethan was on the phone, and complained about the disturbing sounds made by the man and his guitar. Claire kept her eyes closed, and felt lighter than ever. Adolf smiled even more, led by memories brought by the tune. The old man got off on the following station and on his way out addressed a big smile towards Tom. Tom finished his song and went through the carriage asking for a helping contribution. Ethan, after all his complaints, was the only one to spare some change. Tom got his beer back and followed his way, not knowing how much he had affected people’s lives that afternoon.