Mostrando postagens com marcador Pessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pessoal. Mostrar todas as postagens

19 abril, 2018

Tio Tonho

Houve uma época em que o maior leitor deste blog era o tio Tonho, meu tio avô. Quando eu passava um tempo sem postar, ele cobrava ao me encontrar. Sempre me incentivando a seguir com a escrita, a não desistir do Cinema. Ontem me despedi dele. Vai fazer falta.
Trabalhava diariamente na sala ao lado do meu pai, seu sobrinho apenas dez anos mais jovem. Advogando em favor da empresa criada por seu irmão mais velho, cujo retrato orna a parede do seu escritório.
Dava-nos bom dia a qualquer hora do dia. Tinha sempre uma piada, um comentário, pregava peça nos colegas, sempre muito querido. Era de outra época, pensava muito diferente de mim em diversos aspectos. Muito justo, muito correto, derramou lágrimas quando um funcionário do seu apreço se revelou desonesto, se decepcionou sinceramente com Aécio, mas só recentemente. Saudava manifestante que, na praça da Liberdade, pediam por intervenção militar.
Assim, nas diferenças e na sabedoria que só os mais velhos possuem aprendi muito com tio Tonho e lhe sou grato. Que descanse em merecida paz.

21 outubro, 2015

OCT 21 2015

21 de outubro de 2015. O presente. Há sessenta anos nascia minha mãe. É a exata data em que Marty McFly volta para o futuro. Chegamos aqui, e este 2015 é muito mais interessante que o do filme. Essa trilogia é uma das minhas favoritas do cinema. Mais do que o futuro, que eventualmente conhecemos, o passado me encantava. Quem não queria ver os pais, jovenzinhos, se conhecendo? E como é louco perceber que pequenos detalhes alterados impossibilitariam nossa existência. Na época em que via De Volta Para O Futuro, minha mãe tinha a idade que tenho hoje. E assim é a vida uma corrida rumo ao futuro, sem precisarmos de estradas, nem de DeLoreans.


28 julho, 2015

10 anos

Este blog está completando dez anos. Está mais morto do que vivo. Blogs assim, pequenos, pessoais, perderam espaço em tempos de facebook, twitter e instagram. Eu sou outro. E sou o mesmo dos meus vinte e poucos anos. Se um dia o google acabar e o blogger se perder, todas estas palavras desaparecerão. É provável que fique para sempre (por muito tempo ao menos), como uma arqueologia digital. Textos desinteressantes,  de alguém irrelevante, ou relevante para uns poucos seres humanos que estão por vir. Sigo colocando neste espaço aquilo que acho medianamente importante, o verdadeiramente importante passa longe do teclado e das telas. Escrevo mesmo para mim, o eu de 2025. Com sorte, poderei ler e relembrar, no meu ocaso, daqui a muitas décadas.

31 maio, 2014

Parto do Henrique

O parto do Henrique começou ainda na gestação da Manuela. Julieta tinha já uns sete meses de gravidez. Vínhamos lendo, estudando, pesquisando, mas ainda não sabíamos o suficiente. Tínhamos mais informação sobre a gravidez em si, até sobre cuidados com um recém-nascido, mas muito pouco sobre o parto. Foi lendo o relato de parto da Letícia que atinamos para esta falha e novas janelas se abriram. Os encontros do grupo Bem Nascer também foram importantes, muito mais relevantes e esclarecedores que os cursos de maternidades tradicionais. Seguiu-se muita conversa, leitura e vídeos. A tecnologia hoje permite compartilhar experiências mundo afora, inclusive no audiovisual, que aumenta o impacto. Assistimos também ao belo longa “Orgasmic Birth”, na época ainda não existia o nacional “O Renascimento do Parto”. Entramos em contato com uma doula, figura que a princípio eu não entendia e chegava a achar despropositada, mas que se mostrou de suma importância.

E assim foi se desenhando o parto da Manuela, um parto vaginal sem analgesia na suíte PPP (pré-parto, parto e pós-parto) do Hospital Dia e Maternidade Unimed, com uma médica que pouca ou nenhuma experiência tinha neste tipo de parto e duas doulas. Foi maravilhoso, mas poderia ser melhor.

Nos três anos que se seguiram, Julieta esteve cada vez mais engajada na causa do parto humanizado. Houve o parto da Flávia em São Paulo, Miguel não nasceu em casa por um detalhe. E vimos que a transferência para o hospital num parto domiciliar é possível e tranquila. Houve o parto da Natália no Rio de Janeiro, e o outro Miguel, contra todos os lugares-comuns, nasceu em casa, num VBAC (Parto Normal após Cesárea) com seus mais de 4 quilos e mais de 40 semanas de gestação.

O caminho natural era que nosso segundo filho nascesse no conforto da nossa casa. Contudo, havia ainda alguns receios. Ao nos livrarmos dos incômodos que um hospital traz, passaríamos a assumir ainda mais responsabilidades e riscos. Tivemos então todo apoio do médico ginecologista obstetra, da equipe de enfermeiras obstetras e da doula. A Julieta é uma mulher forte e interessada, ao lado dela é fácil tomar decisões. Não é um caminho, fácil. Não é para qualquer um, mas também não para tão poucos. Cria-se uma cultura do medo, que põe a mulher numa posição submissa e fragilizada. Vende-se que a cesárea, uma cirurgia de médio porte, é mais segura que um parto normal. Levou-se para o hospital mais um evento corriqueiro, hoje nasce-se e morre-se num ambiente um tanto hostil e nada familiar. Poucos têm conseguido se livrar desta sina.

Outra preocupação era o papel da Manuela no nascimento do irmão. Ela sempre foi muito racional, mas ainda assim não deixa de ter apenas três aninhos e o elemento mágico fantasioso é muito forte e importante. Nossa então unigênita deve muita dificuldade para lidar com a ansiedade da espera do bebê. Se fossemos para uma maternidade e a deixássemos com os avós, seria penoso, pois isso nunca aconteceu antes na sua vida. Em casa seria mais fácil, embora durante o trabalho de parto não sabíamos como proceder com ela.

No fim da tarde de sexta-feira, após sessão de massagem e escalda-pés com a Doula, Julieta foi tendo contrações cada vez mais amiúde e regulares. Sabíamos que a noite ia ser longa. Fui pra cama com a Manuela. É comum que após um tempo comigo, findas as histórias, ela chame pela mãe. Não foi assim naquela noite. Demorou um par de horas, mas ela dormiu sem reclamar. Nisto, Julieta estava no chuveiro com tantas contrações que mal conseguiu ligar para a doula. Esta chamou as parteiras. Comecei então os preparativos. Logo chegaram, a doula e as enfermeiras. Não houve tempo para ansiedade da minha parte. No quarto do Henrique, inflamos a piscina e começamos a esquentar água para enchê-la. E isso levou tempo. A cada chance ia ver a Julieta, que estava concentrada e cada vez mais perto da “partolândia”, com ocitocina a mil. As meninas da equipe me diziam que não ia demorar, mas eu parecia não acreditar. Perguntei se já podia ligar para minha irmã, que queria assistir ao parto do futuro afilhado. Liguei por volta das 22:40. Mal a banheira tinha água suficiente, Julieta passou do nosso quarto para lá. Vinha trazendo um balde de água quente quando me deparei com um quarto tomado por uma luz azul, Julieta sentada na água com um sorriso no rosto, sendo acariciada pela parteira. Foi o último balde. Disseram – já está vindo, ainda não dei muito crédito, o expulsivo ainda deveria durar uma meia-hora. Pois armei a câmera no tripé e vi que a coisa não seria bem assim. Após poucas contrações e um leve grito, vi o rostinho do Henrique aparecer sereno. Depois de mais uma contração ele acabava de vir para este mundo. A enfermeira desfez duas circulares de cordão que ele tinha. Era um bebê cumprido, parecia que não acabava de sair. Chorou o choro da mudança. Foi para os braços da mãe, onde se aconchegou pele com pele, e onde pude acariciá-lo. Como fiz com a Manuela, agora primogênita, Julieta cantou para o recém-nascido, que de pronto mamou, e o fez por muitos minutos. Minha irmã chegou neste momento, com os dois ainda na água. Nosso filho só saiu do colo da mãe, para vir para o meu, o do pai. A felicidade e a sensação de plenitude são indescritíveis. Tinha cortado o cordão umbilical, que havia pulsado pelo tempo que precisou. Mais tarde veio a placenta, que tomou seu tempo para sair. Deram os pontos, na pequena laceração que a mãe sofrera, e foi o único momento que vi Julieta gemer de dor. A equipe, cuidou da limpeza do quarto, guardou os equipamentos que não se fizeram necessários. Aninhados, contemplávamos nossa cria. Eram duas da manhã, e os pais da Julieta, chegaram trazendo uma deliciosa sopa de legumes, que nos reabasteceu a todos. Às três, estávamos dormindo os três, na nossa cama.

Henrique nasceu dia 18 de abril de 2014, às 23:15, pesando 3,76Kg e medindo 53cm. A Manu ficou dormindo e não viu nada, na manhã seguinte, acordou com a surpresa. E fez a pergunta inocente; mamãe, você estava dormindo também?


Foi tudo lindo e perfeito, se é que existe perfeição. Mas não posso deixar de glorificar o papel da Julieta que se empoderou e assumiu o protagonismo do momento mais feminino da humanidade. Que outras mulheres sigam este exemplo. Tenho memórias para toda vida que este relato só resvalou. Henrique é um presente que veio completar nossa família.


31 dezembro, 2010

2010

Dois mil e dez foi um ano estranho, marcado por perdas e tragédias, pessoais e mundiais. Equiparado talvez com 2001. Contudo, no âmbito pessoal, a chegada da Manuela compensa a balança com folga. A série de posts Esperando, mostra um pouco de como foi nossa experiência antes do nascimento, os quase quatro meses que se seguiram são indescritíveis, nos resta agradecer. Um 2011 ainda melhor para todos!

Update: Curiosa esta compilação das minhas postagens no facebook ao longo do ano.

18 junho, 2010

O dia em que apertei a mão de Saramago

Minha vida mudou no dia em que meu amigo Reynaldo me emprestou um exemplar do livro "Ensaio sobre a Cegueira" do então recentemente laureado Nobel de Literatura José Saramago. Era todo um mundo novo de sensações e imagens, estilo e linguagem.

Desde então li muitos outros livros do Saramago, com destaque para "O evangelho segundo Jesus Cristo", que comprei num sebo no Maletta com intuito de ler durante minha viagem de mochilão à Espanha. E assim foi, comecei no avião e terminei alguns dias após voltar ao Brasil. Aqueles personagens me fizeram companhia e me conectavam com o português. Saramago me fez admirar mais e mais nossa língua e nossa relação com Portugal e outros lusófonos.

Certo dia soube que Saramago viria a Belo Horizonte em 30 de outubro de 2005. Valeu a correria para comprar o livro que ele vinha lançar, "As intermitências da morte". Valeu a espera para conseguir entrar no Grande Teatro do Palácio das Artes cujos mais de 1500 lugares estavam lotados.

Entrou aquele senhor de mais de 80 anos, alto e vigoroso, aplaudido de pé. Na sua firme serenidade, falou sobre o livro e sobre diversas questões. Não se deteve em criticar a perfomance que uniu um violoncelista a dois atores lendo passagem de seu romance.

Ao final uma sessão de autógrafos, uma enorme fila e na ponta José Saramago solícito e altivo. Assinou meu "As intermitências da morte", como combinado, escrevendo apenas seu nome e data. Pedi-lhe então que autografasse também "Ensaio sobre a Cegueira" que havia presenteado a Julieta. Foi quando ela lhe disse "O evangelho segundo Jesus Cristo mudou minha vida, agora estou lendo o Ensaio sobre a Cegueira" e José respondeu, levemente sorrindo, "e estás a tornar a mudar", ou algo assim. E nos apertou as mãos. Valeu Saramago!

Hoje recebo a notícia de sua morte e, apegado, penso que o queria mais entre nós. Ateu que era consideraria este o fim definitivo de sua existência, mas sua obra o eterniza. E de todo modo vale a frase inicial do livro que tenho autografado "No dia seguinte ninguém morreu" o que se torna hoje verdade, ao menos para ele.

Fotos daquele dia.

22 janeiro, 2010

Foi um Rio que passou em minha vida

Coisas de que vou sentir saudade do Rio:

  • Vista do Cristo da Janela
  • Visitas ao Professor Dobbin
  • Padeiro na porta de casa
  • Saber que o mar está logo ali
  • Feira de sábado na Gal. Glicério

Coisas de que não vou sentir saudade do Rio:

  • Os motoristas de ônibus malucos
  • O calor excessivo e úmido
  • A falta de ordem
  • A malandragem ímproba
  • Os motoqueiros buzinando

16 agosto, 2009

London Log

Acabou-se o relato de nossa vida em Londres.
Faltou muito o que contar.
Vivemos tudo intensamente.
Ficam as lembranças e nós também passamos a ser lembranças de outros.
O Mundo ficou menor.
Agora o recomeço, sob o sol.

09 julho, 2009

“família de espírito” de Saramago

“Em primeiro lugar Camões porque todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.”

Na minha genealogia entra Machado de Assis, entra Nelson Rodrigues, Jorge Amado, García Márquez, e claro José Saramago.


Update: Atendendo ao pedido do LEo. Colo o que escrevi num trabalho do mestrado:

the conciseness and intensity of Nelson Rodrigues; the criticism and elegance of José Saramago; the imagery and light-heartedness of Gabriel García Márquez.

E acrescento que Machado é a quintessência da nossa literatura, retrato de um Brasil ainda incipiente e do ser humano atemporal.

Sobre Jorge Amado recorro novamente ao José Saramago:
"Durante muitos anos Jorge Amado quis e soube ser a voz, o sentido e a alegria do Brasil. Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro. Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado. E para muita gente foi uma surpresa descobrir nos livros de Jorge Amado, com a mais transparente das evidências, a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira."

Pena que hoje só haja Paulo Coelho "representando" nossa literatura nas prateleiras mundo afora.

13 novembro, 2008

10 anos

Há exatos dez anos acontecia minha festa de formatura no Santo Antônio. Foi uma noite divertida. Acima de tudo foi uma celebração do encerramento de 12 anos num colégio onde muito aprendi. Onde conheci algumas da melhores pessoas que passaram por minha vida.
13 de novembro de 1998, eu tinha 17 anos e meio.
Nesta foto do meu casamento estão alguns desses amigos que estavam lá.
O Gabriel, de bico, que só conheci em 1999 na Faculdade.
O Carrrara, desde 1994, Rey desde 1997, Samartini e Leo desde 1991.

30 agosto, 2008

Que nem Drumond

Leonardo amava Julieta que amava João
que amava Juliana que amava Gabriel
que era amado por todos.

10 julho, 2008

...

Há pouco tempo vivia num lugar sem passado.

Agora já há espaço para a nostalgia.

01 janeiro, 2008

Coincidência

Nem eu, nem Julieta, nem Junia, nem Talita tínhamos assistido ao "Le Livre de Marie", antes de rodarmos nosso curta.