19 abril, 2018
Tio Tonho
Trabalhava diariamente na sala ao lado do meu pai, seu sobrinho apenas dez anos mais jovem. Advogando em favor da empresa criada por seu irmão mais velho, cujo retrato orna a parede do seu escritório.
Dava-nos bom dia a qualquer hora do dia. Tinha sempre uma piada, um comentário, pregava peça nos colegas, sempre muito querido. Era de outra época, pensava muito diferente de mim em diversos aspectos. Muito justo, muito correto, derramou lágrimas quando um funcionário do seu apreço se revelou desonesto, se decepcionou sinceramente com Aécio, mas só recentemente. Saudava manifestante que, na praça da Liberdade, pediam por intervenção militar.
Assim, nas diferenças e na sabedoria que só os mais velhos possuem aprendi muito com tio Tonho e lhe sou grato. Que descanse em merecida paz.
05 novembro, 2015
21 outubro, 2015
OCT 21 2015
28 julho, 2015
10 anos
31 maio, 2014
Parto do Henrique
31 dezembro, 2010
2010
18 junho, 2010
O dia em que apertei a mão de Saramago
Desde então li muitos outros livros do Saramago, com destaque para "O evangelho segundo Jesus Cristo", que comprei num sebo no Maletta com intuito de ler durante minha viagem de mochilão à Espanha. E assim foi, comecei no avião e terminei alguns dias após voltar ao Brasil. Aqueles personagens me fizeram companhia e me conectavam com o português. Saramago me fez admirar mais e mais nossa língua e nossa relação com Portugal e outros lusófonos.
Certo dia soube que Saramago viria a Belo Horizonte em 30 de outubro de 2005. Valeu a correria para comprar o livro que ele vinha lançar, "As intermitências da morte". Valeu a espera para conseguir entrar no Grande Teatro do Palácio das Artes cujos mais de 1500 lugares estavam lotados.
Entrou aquele senhor de mais de 80 anos, alto e vigoroso, aplaudido de pé. Na sua firme serenidade, falou sobre o livro e sobre diversas questões. Não se deteve em criticar a perfomance que uniu um violoncelista a dois atores lendo passagem de seu romance.
Ao final uma sessão de autógrafos, uma enorme fila e na ponta José Saramago solícito e altivo. Assinou meu "As intermitências da morte", como combinado, escrevendo apenas seu nome e data. Pedi-lhe então que autografasse também "Ensaio sobre a Cegueira" que havia presenteado a Julieta. Foi quando ela lhe disse "O evangelho segundo Jesus Cristo mudou minha vida, agora estou lendo o Ensaio sobre a Cegueira" e José respondeu, levemente sorrindo, "e estás a tornar a mudar", ou algo assim. E nos apertou as mãos. Valeu Saramago!
Hoje recebo a notícia de sua morte e, apegado, penso que o queria mais entre nós. Ateu que era consideraria este o fim definitivo de sua existência, mas sua obra o eterniza. E de todo modo vale a frase inicial do livro que tenho autografado "No dia seguinte ninguém morreu" o que se torna hoje verdade, ao menos para ele.
Fotos daquele dia.
22 janeiro, 2010
Foi um Rio que passou em minha vida
Coisas de que vou sentir saudade do Rio:
- Vista do Cristo da Janela
- Visitas ao Professor Dobbin
- Padeiro na porta de casa
- Saber que o mar está logo ali
- Feira de sábado na Gal. Glicério
Coisas de que não vou sentir saudade do Rio:
- Os motoristas de ônibus malucos
- O calor excessivo e úmido
- A falta de ordem
- A malandragem ímproba
- Os motoqueiros buzinando
16 agosto, 2009
London Log
Faltou muito o que contar.
Vivemos tudo intensamente.
Ficam as lembranças e nós também passamos a ser lembranças de outros.
O Mundo ficou menor.
Agora o recomeço, sob o sol.
09 julho, 2009
“família de espírito” de Saramago
“Em primeiro lugar Camões porque todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.”
Na minha genealogia entra Machado de Assis, entra Nelson Rodrigues, Jorge Amado, García Márquez, e claro José Saramago.
Update: Atendendo ao pedido do LEo. Colo o que escrevi num trabalho do mestrado:
the conciseness and intensity of Nelson Rodrigues; the criticism and elegance of José Saramago; the imagery and light-heartedness of Gabriel García Márquez.
E acrescento que Machado é a quintessência da nossa literatura, retrato de um Brasil ainda incipiente e do ser humano atemporal.Sobre Jorge Amado recorro novamente ao José Saramago:
"Durante muitos anos Jorge Amado quis e soube ser a voz, o sentido e a alegria do Brasil. Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro. Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado. E para muita gente foi uma surpresa descobrir nos livros de Jorge Amado, com a mais transparente das evidências, a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira."
Pena que hoje só haja Paulo Coelho "representando" nossa literatura nas prateleiras mundo afora.
18 maio, 2009
31 janeiro, 2009
12 janeiro, 2009
13 novembro, 2008
10 anos
13 de novembro de 1998, eu tinha 17 anos e meio.
Nesta foto do meu casamento estão alguns desses amigos que estavam lá.
O Gabriel, de bico, que só conheci em 1999 na Faculdade.
O Carrrara, desde 1994, Rey desde 1997, Samartini e Leo desde 1991.
23 setembro, 2008
30 agosto, 2008
Que nem Drumond
que amava Juliana que amava Gabriel
que era amado por todos.





