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22 outubro, 2010

Esperando: O nascimento

Tenho escrito meses a fio sobre minha experiência de esperar minha filha. Sou homem, não geramos, não parimos, não amamentamos. Contudo, ser pai implica uma mescla contundente de emoções. Não creio que meus relatos alcançaram um centésimo do que vivi nestes meses, mas foi bom escrevê-los, compartilhar e receber os feedbacks. Cheguei ao nono mês, contei sobre o trabalho de parto. Deixei o nascimento propriamente dito para depois.

Esperei, maturei e desisti de escrever sobre este momento, indescritível. Tudo que escreva sobre o nascimento da Manuela será injusto com a realidade, quase surreal, daquela vivência no cerne do natural.
Convém dizer que recomendo veementemente o Parto Natural, com participação ativa da mulher e irrestrita do pai.

No mais, fico com os olhos mágicos que me calam…












P.S.: Quem não leu, veja o Breve Relato de Julieta.

17 setembro, 2010

Esperando: o trabalho de parto

Finalmente a chuva veio. Deitados na cama ouvimos o barulho característico que nos acordou, entre uma contração e outra. Não foi uma chuvinha qualquer, depois de meses, a água veio com ímpeto, transformando nossa rua numa corredeira. O ar melhorou e o cheiro que há tempos não sentíamos, encheu nossas narinas, enquanto nos debruçávamos na janela sob respingos da esperada chuva.

A chuva veio antes da Manuela, mas ela não tardaria. As contrações estavam ficando mais fortes e mais amiúde. Ainda tentávamos dormir nos intervalos, e éramos despertados, ela pelas dores, eu pelos gemidos. Quando vinham as contrações era impossível para Julieta permanecer deitada, a parede era sua melhor amiga. Por volta de duas e meia da manhã, ficou impraticável voltar a dormir, as contrações estavam muito frequentes. Eu, com o celular, media os intervalos e a duração. Fazia massagens na lombar tentando aliviar o incômodo e andava pela casa nos intervalos. Mais tarde, sentada na bola, Julieta encontrou uma posição de conforto, e passou a ter as contrações em silêncio meditativo.

Eram quase seis da manhã, com sol já nascendo e sem chuva, quando liguei de novo para a Doula Mariana. Tomei café como pude, já tinha tomado um energético para ficar mais desperto, mas sono era a última coisa na minha cabeça. Passado um tempo, Mariana chegou e passou a acompanhar a Julieta. Foram para de baixo do chuveiro, Julieta na bola usando a água quente como anestésico. As contrações já vinham de três em três minutos, Julieta fez um toque e achou que já sentia a cabeça da Manuela bem baixa. Era hora de ligar para a Dra. Daniela, antes liguei para o hospital para saber se a suíte PPP estava liberada. Estava tudo certo para partirmos para a Maternidade. Eram oito e vinte.

No carro Julieta ficou de joelhos no banco traseiro, com a cara no encosto, Mariana a assistindo. Dirigi em silêncio e com cautela, passando devagar nas lombadas, não obstante, a viagem não foi agradável para Julieta, como não poderia deixar de ser. Deixei-as na porta da Maternidade e fui estacionar. Julieta pediu que chegando no quarto ligasse para sua mãe. Ansioso, liguei assim que estacionei, bem como para minha mãe. Fui fazer a ficha na recepção enquanto ela foi ser examinada, antes da admissão. Liguei para o eu irmão e pedi que avisasse no trabalho que não iria. Julieta e Mariana apareceram revoltadas com o mau atendimento da médica que a examinou, que foi grossa, só disse que havia pouca dilatação, e desacreditou a chance de um parto normal, até desdenhando da vontade nossa. Julieta subiu para a suíte PPP enquanto eu terminava os acertos da admissão. A recepcionista era a mesma que nos apresentou a PPP, quarto onde a parturiente pode ficar no trabalho de parto, dar à luz e ficar o dia seguinte com o recém-nascido. Quarto que a tal médica de plantão disse não existir neste hospital. Quando terminei os procedimentos, Mariana me ligou dizendo que Julieta me queria com ela. Na portaria encontrei com a Daphne, a Doula suplente, que não pode subir a princípio. Dra. Daniela me ligou e pediu notícias, estava a caminho. Subi e encontrei Julieta na bola, concentrada.

Depois de um tempo lá em cima, a Daphne conseguiu subir, logo chegou a Daniela, obstetra. Fez na Julieta o exame de toque e constatou apenas três centímetros de dilatação, as contrações tinham também se espaçado com toda a locomoção até o hospital. Alguém entrou e disse que as avós estavam lá embaixo, desci então com a Daphne e lhes explicamos que o trabalho ainda estava incipiente e levaria ainda longas horas. Elas voltaram para seus afazeres e eu fui fazer um lanche, já eram quase dez da manhã.

De volta ao quarto, a coisa tinha pouco evoluído, mas as contrações voltaram a ficar mais frequentes. Chegou um momento em que elas aconteciam a cada minuto e duravam cerca de um minuto também. Julieta fazia sons, recebia massagens, ficava sob o chuveiro morno e passava bem pelas contrações. O segundo toque foi protelado enquanto pôde, os batimentos cardíacos da Manuela eram monitorados de tempos em tempos. A dificuldade passou a ser conciliar uma posição em que a Julieta ficasse confortável e a médica pudesse medir bem a frequência cardíaca.

Julieta permaneceu de jejum, se hidratando com água, isotônico e água de coco. Ofereceram-me almoço diversas vezes, mas estava sem apetite. As doulas também acabaram ficando em jejum. A pediatra de plantão era a Dra. Nanci com quem havíamos conversado, pois a Dra. Soraya viajaria no feriado. Acabou que ficamos confortável com a coincidência e nem ligamos para a Soraya.

O segundo toque acabou ocorrendo, não sem certa resistência, com a Julieta em quatro apoios, pois as contrações não davam trégua. Chegara a cinco centímetros. Não demorou meia hora para que um novo exame mostrasse sete centímetros de dilatação, era meio dia e meia e a coisa parecia começar a se acelerar.

Houve um momento de tensão, não sei precisar bem quando, mas os batimentos da Manuela tinham se alterado e obstetra cogitou descer com a Julieta para o bloco. Foi um balde de água fria. Desnecessário, pois ela sim diminuía a frequência cardíaca e logo recuperava, mas só durante as contrações ou quando a Julieta estava numa posição desconfortável. Julieta aprendeu a respirar com a filha e a cada novo monitoramento seu coração se mostrava perfeito.

Julieta praticamente não saía mais do chuveiro, na bola, de joelhos, escorada na parede, como o corpo lhe pedisse. Fui até a antessala me deitar um pouco e tentar descansar. Foi quando a Flávia me ligou de São Paulo, após ler o post sobre a 41ª semana. Disse-lhe para ficar atenta ao twitter onde postaria uma mensagem assim que a pequena nascesse. Mal consegui cochilar, meu coração batia forte, pela falta de sono, pela ansiedade, pela emoção. Levantei a uma e quinze, joguei uma água no rosto, não demorou a Julieta me chamou, me queria por perto, sentia agora uma vontade de fazer força, Mariana apontou como um bom sinal. Nos próximos minutos Julieta mudou de fase, entrou como que noutro plano. De mãos dadas comigo, vocalizava, meio que se animalizava. Com doçura gritou, Vem Manuela, vem minha filha. Chorou. E fez chorar as mulheres que a acompanhavam. Trouxe-me para mais perto do parto, do portal que se abria para a chegada da nossa filha.

A próxima hora e meia foi de muita luta, à exaustão, não havia, contudo um adversário. Com o corpo claramente transformado, Julieta foi para a cama onde ficou de cócoras apoiada num aro de metal. A pediatra já foi sendo alertada, a obstetra foi se paramentar. Uma toalha úmida na testa apaziguava Julieta, que estava pronta. Nove meses de gestação, leituras, vídeos, conversas, doze horas de trabalho de parto, contrações, concentração, gana, a prepararam para aquele momento.

07 setembro, 2010

Esperando: semana 41

Dia primeiro de setembro fomos ao médico da Izabel, para que ele fizesse na Julieta uma sessão de acupuntura, avaliasse o colo do útero e receitasse medicações homeopáticas para estimular o trabalho de parto. Seu veredito foi o mesmo, colo fechadinho. No dia 3 de setembro voltamos à Dra. Daniela que ainda percebeu o colo fechado, mas a Manuela um pouco mais baixa. Voltaríamos dia 9 (data da 41º semana segundo o ultrassom) caso ela não viesse.

Julieta entrou numa de andar para todo lado, tudo para facilitar que a pequena viesse naturalmente. E toma suas bolinhas de homeopatia de 15 em 15 minutos.

Com a pediatra viajando no feriado de independência, combinamos com uma colega da Tia Sônia, que ela acompanharia o parto, se Manuela viesse neste período. Pelo menos a obstetra desistiu de viajar. Também estão em Cabo Frio, meus parentes, minha mãe voltaria a qualquer chamado nosso.

O fim de semana passou com tranquilidade e sem novidades, Julieta acordou sábado mais irritadiça, mas no fim do dia já estava de bem, no aniversário da Alice. Domingo foi mais de ficar em casa, só saímos para almoçar e ir ao supermercado. De tardinha descemos para a piscina onde Julieta fez bastante exercícios.

Na segunda estava no trabalho quando a Julieta me ligou, desconfiada de que tinha expulsado o tampão mucoso. Em conversa com a Mariana, Doula, ficou confirmado, só podia mesmo ser o tampão. À tarde, Julieta fez uma sessão de massagem com a Mariana, e quando fui buscá-la fomos convidados a um chá com ela e o marido. A massagem e o chá supostamente ajudam no estímulo ao TP.

7 de setembro, nosso aniversário de 2 anos de casados. Na madrugada nada, parece que Manuela vai mesmo deixar a data exclusiva para nós. Depois do café, conversando com a mãe no telefone, Julieta sentiu definitivamente o resto tampão saindo, agora sem margem para dúvidas. Em seguida, mais piscina e exercícios, almocinho para comemorar o aniversário de casamento e filme que não chegamos ao fim.

As contrações aumentaram, mas ainda bastante irregulares. Mesmo com elas se intrometendo de quando em quando, fomos ao Pizza Sur, celebrar. De volta, é hora de descansar.

Parece que vai ser 8/9/10!

31 agosto, 2010

Esperando: mês 9

Sim, o nono mês está oficialmente encerrado. Não a Manuela ainda não nasceu. São 40 semanas, 280 dias, mas ela ainda tem direito a mais alguns. Com isso seguimos esperando e depois o parto e nascimento ganhará post exclusivo.
Passei meu primeiro dia dos pais, com a rebenta no ventre. Ano que vem vai ser ainda mais divertido.
Ganhamos da Andreza a banheira, toda ergonômica, a luminária que faltava para o quarto dela chegou de Petropólis, com o carinho de Apolinário e Chris. Várias outras lembrancinhas acabaram de completar a decoração. O balde para banho genérico que comprei chegou, bem como o Sling, que a Julieta adorou, e ainda as fraldas de pano modernas que experimentaremos.
Houve aqui em casa, promovido pela Doula só para mulheres, um chá de despedida da barriga, de bençãos, com direito a escalda pés para a grávida.
Conseguimos participar do encontro do Núcleo bem nascer, deste mês, e tivemos ótimas conversas com os obstetras, Marco Aurélio e Quézia. Foi bom para acalmar nossa ansiedade. Se necessário for, estamos apostando nos métodos naturais para estimular o parto e fugirmos de uma cesárea.
Julieta tem se sentido bem, e os últimos ultrassons só mostram o quanto Manuela está saudável e com ambiente favorável para esperar o quanto precisar.
Domingo fomos ao maravilhoso Inhotim com Alice que se mudou do Rio para cá e vimos o mágico show do Uakti. Depois foi a festinha de 2 anos do Gabriel que estava exultante de alegria.
Hoje é dia 31 de agosto, data com que a Julieta sonhou ano passado, não calhou da nossa filha nascer neste dia, mas é um dia especial ainda assim e mais especial será o dia em que finalmente a conhecermos.

30 julho, 2010

Esperando: mês 8

A espera vai terminando. O quarto dela já está montado. Decidimos não fazer chá de bebê, já temos ganhado tanta coisa. Houve o chá da Ana Carolina, muito especial, o pessoal veio do Rio e os Meireles fizeram uma grande festa. Sobrou presente até para a Manuela. As priminhas se encontraram nas barrigas pela última vez, agora só do lado de cá, provavelmente no Natal.

Decidimos o local do parto, Maternidade Unimed, mais especificamente na suíte PPP (pré-parto, parto e pós-parto), onde ela vai nascer e permanecer todo o tempo conosco. A ideia e ter o parto sem analgesia e com participação ativa da mãe. Contratamos uma Doula que vai ajudar em todo o processo, desde lá de casa.

Participamos de mais uma etapa do curso de Parto Normal do Núcleo Bem Nascer, esta sobre amamentação, foi também muito proveitoso. Mês que vem acho difícil de ainda estarmos grávidos, mas pode ser.

Estamos nos munindo dos melhores aparatos para melhor cuidar da Manuela, depois falo mais deles. O Xande também trouxe dos EUA muitas coisas para ela, bonitinhas e práticas. Ganhamos o carrinho, e a banheira já está prometida.

Manuela continua mexendo muito, sem parar, Julieta vai sentir falta. Mas nesta altura a barriga já começa a pesar; o nono mês, dizem, não é fácil.

02 julho, 2010

Esperando: mês 7

Neste mês de Copa do Mundo e trabalho novo, compramos (ganhamos) praticamente tudo do quarto da Manuela; Um berço que depois vira cama e outros móveis, poltrona de amamentar, cubos para enfeites. Na porta já tem a letra M em lilás, feita pela Lora Dobbin.
Fomos ao curso de casal grávido que no Mater Dei se mostrou uma decepção, com uma turma enorme e pouco acrescentando ao que já havíamos lido e ouvido por aí. Aprofundamos as leituras sobre gestação, parto e amamentação, com isso vamos traçando os planos para a chegada da Manuela. Participamos também do Curso de preparação para o Parto Normal, cujo módulo era sobre Cesariana, indicações e pós-operatório. A discussão conduzida pelo pessoal do Núcleo Bem Nascer foi bem mais aprofundada e aberta, com uma turma menor e mais interativa.
No ultrassom de 31 semanas Manuela estava super ativa, pegando o pézinho e colocando na testa. Já dá para ver feições mais claramente, sua estimativa de peso é 1,6kg, chegando à quadragésima semana com três e pouco. O bom também é que ela já virou e deve permanecer encaixada para o dia do parto.
Conhecemos a pediatra que provavelmente acompanhará o parto e os primeiros meses da Manuela, é uma médica da linha da antroposofia.

31 maio, 2010

Esperando: mês 6

Completei 29 anos e faltam apenas três meses para Manuela chegar. Julieta está já sentindo as consequências da barriga, dor nas costa, falta de ar, azia. Soubemos que o bebê da Natália também é menina, Ana Carolina. Fomos ao Rio para o batizado da Helena, foi a chance do pessoal de lá ver a barriga, porque viajar de avião já não dá para Julieta, na volta ela se sentiu muito mal.

Manuela tem mexido bastante e eu já senti com a mão, às vezes dá até para ver o movimento. Mais e mais queremos ela aqui perto, chorando, mamando, dormindo.

24 abril, 2010

Esperando: mês 5

A vida em seus caminhos tortos nos surpreendeu mais uma vez e outra perda irreparável nos assolou. Tita tão querida e sempre alegre deixou este mundo, deixou seu pai, seus irmãos, seus filhos e, como a vida sempre se renova, seu netinho que virá. Ficam as histórias a serem contadas para ele (ou ela) e para sua prima, Manuela. Sim, esperamos uma menina, que se chamará Manuela. Com muita alegria descobrimos o sexo do bebê e descobrimos que os palpites estavam certos, inclusive daqueles que deram presentes bem femininos, confiando na intuição.

Fomos no hospital fazer o ultrassom, Julieta, minha mãe, minha irmã e eu. Segue o vídeo deste momento;



Neste quinto mês a barriga cresceu de vez e mais ninguém , nas filas preferenciais, duvida que a Julieta está grávida. Julieta já sente ela se mexendo, tem passado bem, salvo esporádicos enjoos e uma dor no cóccix, que deve levá-la a fazer fisioterapia.

Bem menininha, Manuela já tem uma gaveta cheia de sapatinhos e um par de brincos de pérola com brilhante dados por sua bisavó Maria.

22 março, 2010

Esperando: mês 4

Neste mês o bebê no ventre materno entrou no palco. Encontramos nossa nova casa, nos mudamos. O quarto do bebê está vazio, mas com os armários cheios de presentes. Na segunda consulta ouvimos seu coração galopante. Fica ainda para o próximo mês a descoberta do sexo.

O mês passou voando, a barriga vai crescendo e vamos nos encontrando.

18 fevereiro, 2010

Esperando: mês 3

Neste mês tivemos uma perda enorme. Minha amada avó e madrinha se foi. Tenho pena que ela tenha conhecido seu bisneto. Fico feliz, contudo, de ter podido dar a notícia a ela e que ela tenha curtido a alegria de ser bisavó por uns dias.

Trouxemos tudo que era nosso do Rio de Janeiro, entregamos o apartamento e seguimos procurando nossa casa em Belo Horizonte. A primeira consulta com a Dra. Daniela foi ótima e os exames comprovam uma gestação sadia. Uma infecção urinária já foi combatida e só restam ainda os enjoos cada vez menos frequentes.

A emoção maior ficou por conta do primeiro ultrassom. Pudemos ver claramente o bebê que se movimenta sem parar e ouvir seu coração pulsar a 170 batimentos por minuto. Todos os indícios são de um feto 100% saudável. A placenta é que se encontra baixa, mas com grandes possibilidades de se deslocar e não acarretar problemas futuros. Se será Francisco ou Manuela, fica para ser descoberto na próxima ultrassonografia.

Saudade, ansiedade e muita felicidade foi a tônica deste terceiro mês.


24 janeiro, 2010

Esperando: mês 2

O segundo mês foi marcado por muito calor e enjoo. Recebemos também os primeiros presentes, um pagãozinho vindo da Bahia dado pela Paula. Um macacãozinho de patinho, presente da Amanda e família. Chegamos a visitar alguns apartamentos no Rio de Janeiro para nos mudar.

Houve então a triste notícia da minha vó, que segue internada em estado delicado. Fomos às pressas para Belo Horizonte, onde mesmo dentre a crise nos sentimos bem. O Leo meu amigo e a Lígia nos visitaram. Izabel nos presenteou com uma bolsa cheia de roupinhas de recém-nascido. A Branca trouxe presente da viagem e um ursinho mandado pela Marilda. E mais o berço prometido por minha mãe.

De volta ao calor do Rio, tomamos uma decisão de grandes consequências; vamos nos mudar para Belo Horizonte. Há pouco a ser abandonado aqui, Julieta pediu demissão na loja, e pediu para sair da peça, cuja primeira reunião se revelou pouco animadora. Devolveremos o apartamento para o Bernardo um mês antes do contrato findar.

Para terminar tivemos a notícia de um priminho que nascerá pertinho do nosso. Muita alegria e esperança, neste mês conturbado.

Ah, e os nomes finalistas já estão definidos.

10 janeiro, 2010

Esperando: mês 1

O primeiro mês esperando começou fora de ordem cronológica. Era 6 de janeiro de 2010, quando Julieta ouviu o laudo pelo telefone que a levou a perguntar “O que significa isso?”, sem obter resposta definitiva. Seu nível de hormônio Beta HCG estava alto e devíamos consultar uma tabela na internet. Quando ela me disse o valor de nove mil e setenta e sete, baseado em experiência prévia, já disse com convicção “Está grávida.” A tabela veio dizer que estávamos por volta da quarta ou quinta semana de gestação.
O começo real, a concepção, se deu, desapercebidamente, em dezembro de 2009. Época em que estava me preparando para o concurso do IPHAN, em que completávamos 6 anos juntos, quando o Flamengo foi campeão brasileiro, e quando houve a passagem da Dinda (Julieta).
No princípio é tudo muito abstrato, mesmo para Julieta, quanto mais para mim. Os seios estão maiores, nada mais se percebe. Diferentemente de outras possíveis vezes não fiquei ansioso, nem pensei muito concretamente nos desdobramentos, mas agora era um fato.
Era hora de comunicar aos queridos. O primeiro a saber foi o João, que casualmente atendeu ao telefone, Gabriel ganhará um priminho. Daí foi a vez de Isabel que quase não acreditou. Na minha casa, calhou de estarem ao redor de minha mãe, ao saber que seria vovó, uma plateia animada de futuros tios e bisavó. Meu pai soube depois por essa mesma turma, está registrado em vídeo.
Professor Dobbin ficou muito feliz e minha vó Dalva teve motivo para se alegrar em meio à dor. Seguiram-se vários telefonemas, emails, mensagens de todo tipo. O que só fez concretizar mais o rebento vindouro.
Na sexta-feira dia 8 fui à rua comprar um suplemento indicado para gestante e comprei o primeiro presente do pequeno, um par de sapatinhos amarelos. Mais tarde foi a hora de fazer e plano de saúde para Julieta.
Foi preciso comunicar também a diretora das peças que Julieta encenará que para seu alívio recebeu a notícia com rejúbilo e sem ressalvas ao trabalho a ser feito.
A busca por possíveis nomes já começou com tudo, até se antecipando ao exame. Os candidatos estão na mesa.
Sábado o calor castigou aqui no Rio, e o passeio na feira foi sofrido para Julieta. À noite fomos a uma festa de aniversário e o que a incomodou foi só o dedo do pé fraturado. Domingo foi a vez da prima Paula traz uma Chandon para brindarmos.
A espera para que os sapatinhos sejam preenchidos está apenas começando.