12 julho, 2010

Personagens e Imagens da Copa 2010 (para além do futebol)

A Copa do Mundo FIFA é sempre um espetáculo, independentemente do bom (ou mau) futebol. A edição deste ano na África do Sul teve seus fatos marcantes, vamos aos que me chegam à mente após a final que sagrou a Espanha campeã do Mundo.

Jabulani
A bola mais famosa de todos os tempos já deu o que falar antes mesmo de correr nos campos africanos.


Ei-la nas mãos da Shakira (Waka-waka) outra pesonagem deste Mundial.


Vuvuzela
A famigerada corneta, tradicional na África do Sul, sempre esteve presente em época de copa no Brasil, mas nunca com tanta notoriedade. Encheu os ouvidos de jogadores e árbitros em campo, e dos telespectadores mundo a fora. Ameçou-se até uma proibição delas nos estádios, mas no fim até o YouTube se rendeu e criou um "botão vuvuzela".



Dunga e a imprensa

Deu o que falar a relação conflituosa do técnico do Brasil com os órgãos de mídia. Não há ninguém cem por cento certo ou errado neste embate. Contudo, um episódio foi emblemático:


Maradona fanfarrão

Don Diego não perdeu a estrela. Técnico da seleção argentina chamou para si a atenção, nas coletivas, no pré-jogo, à beira do gramado, no luto pós-eliminação. Maradona, que por sorte não teve de cumprir sua promessa de sair pelado, mostrou que a jabulani é sua amiga:


La decadence Francese

Não só a vice de 2006, como também a campeã, Itália, ficaram na primeira fase da copa 2010. Entretanto, os barracos que os franceses protagonizaram ficaram para os anais. Ofensas, dispensas, demissões, e o toco do Domenech em Parreira foram uns dos atos deste drama bleu.




Larissa Riquelme

A periguete paraguaia robou a cena com seu celular dentro da área de serviço.


Mick Jagger, o pé frio

O vocalista dos Rolling Stones torceu para os EUA, para Inglaterra, pro Brasil e deu no que deu. Saravá, Mick!


Povo Paul, o vidente

O molusco alemão cravou os vencedores de todos os jogos da Alemanha e de quebra a final.



Os Holandeses e as Holandesas

Fora o show a parte da torcida feminina dos Países Baixos. Um fato foi notável, contrastando com a clausura de Dunga e seus pupilos, os jogadores holandeses ganharam um dia (noite) com as namoradas. A cena da despedida é legendária.



Casillas y el beso

O capitão campeão e a bela repórter espanhola foram alvos de críticas, mas no final saíram por cima. ¡Dále Iker!


Transmissão

Mais do que nunca (ô loco bixo), este foi um espetáculo televisivo, foi para mim (e muitos outros) a primeira copa em HD. Houve transmissão em 3D também, de todos os jogos. As mais 30 cameras não perderam um lance, nem a melecada do Joachim Löw ,que preferíamos não ter visto. As câmeras captam mil quadros por segundo, normalmente são 30, possibilitando um slow-motion incrível. Tinha ainda a skycam com quadros fantásticos. Vai ser difícil assistir a futebol comunzão doravante.

Twitter

Inegavelmente esta foi a copa do Twitter,  em 2006 ele não existia, até 2014 só Deus sabe o que terá surgido. O site nesta copa "baleiou" como só nos seus primórdios. Viu-se o fenômeno CALA BOCA GALVAO, proliferar mundo a fora, depois foi a vez dos #felipemelofacts dominarem. Outra novidade foram os live tweets da copa.

Update:
 Copa Aleixo

Tinha me esquecido de citar o programa que fez minha diversão antes e durante a Copa. Bruno Aleixo sempre impagável, conduziu mesas redondas sobre cada seleção do Mundial. E comentou os jogos da Copa Sulafricana. Imperdível.

02 julho, 2010

Esperando: mês 7

Neste mês de Copa do Mundo e trabalho novo, compramos (ganhamos) praticamente tudo do quarto da Manuela; Um berço que depois vira cama e outros móveis, poltrona de amamentar, cubos para enfeites. Na porta já tem a letra M em lilás, feita pela Lora Dobbin.
Fomos ao curso de casal grávido que no Mater Dei se mostrou uma decepção, com uma turma enorme e pouco acrescentando ao que já havíamos lido e ouvido por aí. Aprofundamos as leituras sobre gestação, parto e amamentação, com isso vamos traçando os planos para a chegada da Manuela. Participamos também do Curso de preparação para o Parto Normal, cujo módulo era sobre Cesariana, indicações e pós-operatório. A discussão conduzida pelo pessoal do Núcleo Bem Nascer foi bem mais aprofundada e aberta, com uma turma menor e mais interativa.
No ultrassom de 31 semanas Manuela estava super ativa, pegando o pézinho e colocando na testa. Já dá para ver feições mais claramente, sua estimativa de peso é 1,6kg, chegando à quadragésima semana com três e pouco. O bom também é que ela já virou e deve permanecer encaixada para o dia do parto.
Conhecemos a pediatra que provavelmente acompanhará o parto e os primeiros meses da Manuela, é uma médica da linha da antroposofia.

18 junho, 2010

O dia em que apertei a mão de Saramago

Minha vida mudou no dia em que meu amigo Reynaldo me emprestou um exemplar do livro "Ensaio sobre a Cegueira" do então recentemente laureado Nobel de Literatura José Saramago. Era todo um mundo novo de sensações e imagens, estilo e linguagem.

Desde então li muitos outros livros do Saramago, com destaque para "O evangelho segundo Jesus Cristo", que comprei num sebo no Maletta com intuito de ler durante minha viagem de mochilão à Espanha. E assim foi, comecei no avião e terminei alguns dias após voltar ao Brasil. Aqueles personagens me fizeram companhia e me conectavam com o português. Saramago me fez admirar mais e mais nossa língua e nossa relação com Portugal e outros lusófonos.

Certo dia soube que Saramago viria a Belo Horizonte em 30 de outubro de 2005. Valeu a correria para comprar o livro que ele vinha lançar, "As intermitências da morte". Valeu a espera para conseguir entrar no Grande Teatro do Palácio das Artes cujos mais de 1500 lugares estavam lotados.

Entrou aquele senhor de mais de 80 anos, alto e vigoroso, aplaudido de pé. Na sua firme serenidade, falou sobre o livro e sobre diversas questões. Não se deteve em criticar a perfomance que uniu um violoncelista a dois atores lendo passagem de seu romance.

Ao final uma sessão de autógrafos, uma enorme fila e na ponta José Saramago solícito e altivo. Assinou meu "As intermitências da morte", como combinado, escrevendo apenas seu nome e data. Pedi-lhe então que autografasse também "Ensaio sobre a Cegueira" que havia presenteado a Julieta. Foi quando ela lhe disse "O evangelho segundo Jesus Cristo mudou minha vida, agora estou lendo o Ensaio sobre a Cegueira" e José respondeu, levemente sorrindo, "e estás a tornar a mudar", ou algo assim. E nos apertou as mãos. Valeu Saramago!

Hoje recebo a notícia de sua morte e, apegado, penso que o queria mais entre nós. Ateu que era consideraria este o fim definitivo de sua existência, mas sua obra o eterniza. E de todo modo vale a frase inicial do livro que tenho autografado "No dia seguinte ninguém morreu" o que se torna hoje verdade, ao menos para ele.

Fotos daquele dia.

31 maio, 2010

Esperando: mês 6

Completei 29 anos e faltam apenas três meses para Manuela chegar. Julieta está já sentindo as consequências da barriga, dor nas costa, falta de ar, azia. Soubemos que o bebê da Natália também é menina, Ana Carolina. Fomos ao Rio para o batizado da Helena, foi a chance do pessoal de lá ver a barriga, porque viajar de avião já não dá para Julieta, na volta ela se sentiu muito mal.

Manuela tem mexido bastante e eu já senti com a mão, às vezes dá até para ver o movimento. Mais e mais queremos ela aqui perto, chorando, mamando, dormindo.

24 abril, 2010

Esperando: mês 5

A vida em seus caminhos tortos nos surpreendeu mais uma vez e outra perda irreparável nos assolou. Tita tão querida e sempre alegre deixou este mundo, deixou seu pai, seus irmãos, seus filhos e, como a vida sempre se renova, seu netinho que virá. Ficam as histórias a serem contadas para ele (ou ela) e para sua prima, Manuela. Sim, esperamos uma menina, que se chamará Manuela. Com muita alegria descobrimos o sexo do bebê e descobrimos que os palpites estavam certos, inclusive daqueles que deram presentes bem femininos, confiando na intuição.

Fomos no hospital fazer o ultrassom, Julieta, minha mãe, minha irmã e eu. Segue o vídeo deste momento;



Neste quinto mês a barriga cresceu de vez e mais ninguém , nas filas preferenciais, duvida que a Julieta está grávida. Julieta já sente ela se mexendo, tem passado bem, salvo esporádicos enjoos e uma dor no cóccix, que deve levá-la a fazer fisioterapia.

Bem menininha, Manuela já tem uma gaveta cheia de sapatinhos e um par de brincos de pérola com brilhante dados por sua bisavó Maria.

22 março, 2010

Esperando: mês 4

Neste mês o bebê no ventre materno entrou no palco. Encontramos nossa nova casa, nos mudamos. O quarto do bebê está vazio, mas com os armários cheios de presentes. Na segunda consulta ouvimos seu coração galopante. Fica ainda para o próximo mês a descoberta do sexo.

O mês passou voando, a barriga vai crescendo e vamos nos encontrando.

18 fevereiro, 2010

Esperando: mês 3

Neste mês tivemos uma perda enorme. Minha amada avó e madrinha se foi. Tenho pena que ela tenha conhecido seu bisneto. Fico feliz, contudo, de ter podido dar a notícia a ela e que ela tenha curtido a alegria de ser bisavó por uns dias.

Trouxemos tudo que era nosso do Rio de Janeiro, entregamos o apartamento e seguimos procurando nossa casa em Belo Horizonte. A primeira consulta com a Dra. Daniela foi ótima e os exames comprovam uma gestação sadia. Uma infecção urinária já foi combatida e só restam ainda os enjoos cada vez menos frequentes.

A emoção maior ficou por conta do primeiro ultrassom. Pudemos ver claramente o bebê que se movimenta sem parar e ouvir seu coração pulsar a 170 batimentos por minuto. Todos os indícios são de um feto 100% saudável. A placenta é que se encontra baixa, mas com grandes possibilidades de se deslocar e não acarretar problemas futuros. Se será Francisco ou Manuela, fica para ser descoberto na próxima ultrassonografia.

Saudade, ansiedade e muita felicidade foi a tônica deste terceiro mês.


24 janeiro, 2010

Esperando: mês 2

O segundo mês foi marcado por muito calor e enjoo. Recebemos também os primeiros presentes, um pagãozinho vindo da Bahia dado pela Paula. Um macacãozinho de patinho, presente da Amanda e família. Chegamos a visitar alguns apartamentos no Rio de Janeiro para nos mudar.

Houve então a triste notícia da minha vó, que segue internada em estado delicado. Fomos às pressas para Belo Horizonte, onde mesmo dentre a crise nos sentimos bem. O Leo meu amigo e a Lígia nos visitaram. Izabel nos presenteou com uma bolsa cheia de roupinhas de recém-nascido. A Branca trouxe presente da viagem e um ursinho mandado pela Marilda. E mais o berço prometido por minha mãe.

De volta ao calor do Rio, tomamos uma decisão de grandes consequências; vamos nos mudar para Belo Horizonte. Há pouco a ser abandonado aqui, Julieta pediu demissão na loja, e pediu para sair da peça, cuja primeira reunião se revelou pouco animadora. Devolveremos o apartamento para o Bernardo um mês antes do contrato findar.

Para terminar tivemos a notícia de um priminho que nascerá pertinho do nosso. Muita alegria e esperança, neste mês conturbado.

Ah, e os nomes finalistas já estão definidos.

22 janeiro, 2010

Foi um Rio que passou em minha vida

Coisas de que vou sentir saudade do Rio:

  • Vista do Cristo da Janela
  • Visitas ao Professor Dobbin
  • Padeiro na porta de casa
  • Saber que o mar está logo ali
  • Feira de sábado na Gal. Glicério

Coisas de que não vou sentir saudade do Rio:

  • Os motoristas de ônibus malucos
  • O calor excessivo e úmido
  • A falta de ordem
  • A malandragem ímproba
  • Os motoqueiros buzinando

10 janeiro, 2010

Esperando: mês 1

O primeiro mês esperando começou fora de ordem cronológica. Era 6 de janeiro de 2010, quando Julieta ouviu o laudo pelo telefone que a levou a perguntar “O que significa isso?”, sem obter resposta definitiva. Seu nível de hormônio Beta HCG estava alto e devíamos consultar uma tabela na internet. Quando ela me disse o valor de nove mil e setenta e sete, baseado em experiência prévia, já disse com convicção “Está grávida.” A tabela veio dizer que estávamos por volta da quarta ou quinta semana de gestação.
O começo real, a concepção, se deu, desapercebidamente, em dezembro de 2009. Época em que estava me preparando para o concurso do IPHAN, em que completávamos 6 anos juntos, quando o Flamengo foi campeão brasileiro, e quando houve a passagem da Dinda (Julieta).
No princípio é tudo muito abstrato, mesmo para Julieta, quanto mais para mim. Os seios estão maiores, nada mais se percebe. Diferentemente de outras possíveis vezes não fiquei ansioso, nem pensei muito concretamente nos desdobramentos, mas agora era um fato.
Era hora de comunicar aos queridos. O primeiro a saber foi o João, que casualmente atendeu ao telefone, Gabriel ganhará um priminho. Daí foi a vez de Isabel que quase não acreditou. Na minha casa, calhou de estarem ao redor de minha mãe, ao saber que seria vovó, uma plateia animada de futuros tios e bisavó. Meu pai soube depois por essa mesma turma, está registrado em vídeo.
Professor Dobbin ficou muito feliz e minha vó Dalva teve motivo para se alegrar em meio à dor. Seguiram-se vários telefonemas, emails, mensagens de todo tipo. O que só fez concretizar mais o rebento vindouro.
Na sexta-feira dia 8 fui à rua comprar um suplemento indicado para gestante e comprei o primeiro presente do pequeno, um par de sapatinhos amarelos. Mais tarde foi a hora de fazer e plano de saúde para Julieta.
Foi preciso comunicar também a diretora das peças que Julieta encenará que para seu alívio recebeu a notícia com rejúbilo e sem ressalvas ao trabalho a ser feito.
A busca por possíveis nomes já começou com tudo, até se antecipando ao exame. Os candidatos estão na mesa.
Sábado o calor castigou aqui no Rio, e o passeio na feira foi sofrido para Julieta. À noite fomos a uma festa de aniversário e o que a incomodou foi só o dedo do pé fraturado. Domingo foi a vez da prima Paula traz uma Chandon para brindarmos.
A espera para que os sapatinhos sejam preenchidos está apenas começando.

30 dezembro, 2009

Melhores filmes da década de 2000.

Comecemos pelos 20 em ordem cronológica:



2000 - Amores Perros, A. G. Iñarritu

2001 - Lavoura Arcaica, L. F. Carvalho

2001 - Lucía y el sexo, Julio Medem

2001 - Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet

2001 - Y tu mamá también, Alfonso Cuarón

2001 - Mulholland Drive, David Lynch

2001 - El hijo de la novia, J. J. Campanella

2002 - Cidade de Deus, Fernando Meirelles

2002 - Hable con Ella, Pedro Almodóvar

2002 - Ônibus 174 + 2007 - Tropa de Elite, José Padilha

2003 - Dogville, Lars von Trier

2003 - Les Invasions barbares, Denys Arcand

2004 - Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry

2004 - Closer, Mike Nichols

2005 - Match Point, Woody Allen

2005 - Um Crime Delicado, Beto Brant

2006 - Once, John Carney

2006 - O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia

2006 - El Laberinto del Fauno, Guillermo del Toro

2007 - 4 luni, 3 saptamâni si 2 zile, Cristian Mungiu


É isso. Há um bom número de filmes brasileiros, latinos, americanos, quando não foi minha intenção primeira equilibrar isso. Não repeti nenhum diretor, mas estão aí alguns de meus favoritos, não só desta década.

Não queria adicionar documentários, que acrescentaria Bowling for Columbine, Grizzly Man, Janela da Alma, Edifício Master, Jogo de Cena, e tantos outros. Mas não pude deixar de fora Ônibus 174 que uni ao seu co-irmão Tropa de Elite.

Curioso como tantos bons filmes foram produzidos em 2001. A falta de filmes dos dois últimos anos talvez se dê pela necessidade de mais tempo para os filmes se depurarem. Houve grandes filmes em 2008, haja vista There will be blood, No country for old men, Entre les Murs, Leonera dentre outros. E neste ano de 2009 teve o duplo Che, Antichrist e vários que ainda não vi, inclusive Avatar.

Destaco também para meu divertimento os filmes baseados nos quadrinhos, especialmente as ótimas trilogias X-Men e Homem-Aranha, os dois novos do Batman e Watchmen.

Há de mencionar também as animações por computador que trouxeram diversão para crianças e adultos como boas histórias, visual instigante e críticas sociais.


05 dezembro, 2009

Série séries #10

Sex and the City

image

Vi Sex and the city pela primeira vez quando ainda tinha HBO em casa. De cara a série me cativou; um texto criativo, inteligente, atual. Mais tarde sem HBO passei a assistir pelo Multishow. A série foi criada por Darren Star baseado no livro de Candace Bushnell, seu principal roteirista foi Michael Patrick King que viria a dirigir o longa.

Com maior ou menor afinco acompanhei até o final. Muitos anos depois, em Londres, não pude deixar de ir ver o filme. Até me diverti, mas afinal ali uma futilidade e uma ode ao consumismo que na TV não era tão evidente.

Alguns meses depois compilei uma lista com os mais bem cotados episódios e revi em ordem. A série é muito boa mesmo. Não devem ser poucos os grupos de amigas que elegem suas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda.

image

E revendo o filme, suas falhas se destacam, mas entendo que é fácil gostar uma vez que já entramos no cinema como quem vai rever velhos amigos.

01 dezembro, 2009

Pequenas Lembranças #11

Os As

Se eu tive quando bebê a Rosa, que era empregada lá em casa, praticamente uma babá, a quem me apeguei muito. O Xande, meu irmão, teve a Alcione, que não sei por que cargas d’água ele chamava de Mon.

Eu devia ter cinco anos, e Dedê era um bebê de colo. Uma vez a emprega disse, empolgada, que todos eles tinham um nome que começa com A. Minha lógica, estritamente fonética, e meu sentimento de exclusão não me deixaram concordar. Argumentei, não nada disso; Alexandre só que é com A. Alcione é com Al. E Andreza é com An.

04 novembro, 2009

Raditude =w=

Há mais de um ano escrevi aqui sobre minhas impressão a cerca do Red Album do Weezer.

Em 1998, meu amigo Reynaldo me deu um CD pirata com o Blue Album da banda, já conhecia algumas músicas e pirei no álbum. Depois ele me emprestou sua cópia autêntica do Pinkerton, que a princípio soou estranho, mas logo se tornou meu disco favorito.
Alguns anos depois compramos via internet o Green Album, importado. Foi caro e para nós fãs valeu a pena, afinal era uma volta do Weezer após anos de inatividade.
Em 2002, estava na Espanha quando o Maladroit foi lançado e comprei duas cópias, uma para mim outra para o Reynaldo.
Depois veio o Make Believe que novamente compramos on-line. Album cuja turnê incluía o Brasil, e não podemos deixar de ir a Curitiba, para um show que foi marcante.
Em 2008 estava eu em Londres e no dia do lançamento do Red Album tratei de comprar o meu, na Zavvi de Oxford Street, antiga Virgin Mega Store, hoje também de portas fechadas.

Pois agora, novembro de 2009, lançaram o novo Raditude. Vendo os esforços de venda da banda, com a história do Snuggie e tudo mais, pensei em comprar o álbum na Amazon MP3, apenas para descobrir que o serviço não está disponível fora dos EUA. Na iTunes store achei o preço alto. Então resolvi baixar no bom e velho Pirate Bay.

Ainda não ouvi, então sobre ele não comento além da música de trabalho (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To que não impolga, mas não chega a incomodar e tem um clipe legalzinho, sem o quê a mais que Porks and Beans tinha.

Contudo, o que motivou o post foi a apresentação da banda no programa do David Letterman, que me remeteu a apresentações anteriores do Weezer no talk-show.

Tudo começou com Say it ain't so. Música preferida de muita gente, nunca esteve no topo da minha lista. É muito boa e deixa saudades do velho Weezer.



Depois teve Keep Fishin' do malfadado Maladroit, disco de que sempre gostei, e está pra mim é a melhor apresentação deles no Late Show.



Em seguida foi Beverly Hills o single que mais me causou estranheza à época, eu não gostava mesmo da música. Hoje acho legalzinha.



Terminando com a novíssima (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To, com performance animada que fez crescer minha estima pela canção.




Curioso ver a evolução (e o envelhecimento) da banda, do David, e até a volta do LP (ou pelo menos a capa grande já que o CD hoje não vale de nada) no último vídeo.

27 outubro, 2009

Top 50 em 2009

Segue uma atualização dos 50 filmes da minha predileção; sob a ótica dos meus 28 anos:

1.    O Gabinete do Dr. Caligari - Robert Wiene, 1919
2.    Em busca do ouro - Charlie Chaplin, 1925
3.    O Encouraçado Potemkin - Sergei Eisenstein, 1925
4.    Sem novidades no front - Lewis Milestone, 1930
5.    Luzes da Cidade - Charlie Chaplin, 1931
6.    Diabo a quatro - Leo McCarey, 1933
7.    Cidadão Kane - Orson Welles, 1941
8.    Casablanca - Michael Curtiz, 1942
9.    Ladrões de Bicicleta - Vittorio de Sica, 1948
10.    Crepúsculo dos Deuses - Billy Wilder, 1950
11.    Um bonde chamado desejo - Elia Kazan, 1951
12.    Cantando na Chuva - S. Donen, G. Kelly, 1952
13.    Janela Indiscreta - Alfred Hitchcock, 1954
14.    Noites de Cabíria - Federico Fellini, 1957
15.    Quanto mais quente melhor - Billy Wilder, 1959
16.    Os Incompreendidos - François Truffaut, 1959
17.    Psicose - Alfred Hitchcock, 1960
18.    La Dolce Vita - Federico Fellini, 1960
19.    Acossado - Jean Luc Godard, 1960
20.    O Anjo Exterminador - Luis Buñuel, 1962
21.    Deus e o Diabo na Terra do Sol - Glauber Rocha, 1964
22.    A primeira noite de um homem - Mike Nichols, 1967
23.    2001, uma odisséia no espaço - Stanley Kubrick, 1968
24.    Era uma vez no oeste - Sergio Leone, 1968
25.    Perdidos na noite - John Schlesinger, 1969
26.    Laranja Mecânica - Stanley Kubrick, 1971
27.    Gritos e Sussurros - Ingmar Bergman, 1972
28.    O Poderoso Chefão - Francis Ford Coppola, 1972
29.    O Poderoso Chefão-Parte II -Francis Ford Coppola,1974
30.    Um dia de cão - Sidney Lumet, 1975
31.    Um estranho no ninho - Milos Forman, 1975
32.    Taxi Driver - Martin Scorsese, 1976
33.    Annie Hall - Woody Allen, 1977
34.    Manhattan - Woody Allen, 1979
35.    Touro Indomável - Martin Scorsese, 1980
36.    Scarface - Brian de Palma, 1983
37.    O Baile - Ettore Scola, 1984
38.    Paris, Texas - Wim Wenders, 1984
39.    De volta para o futuro - Robert Zemeckis, 1987
40.    A dupla vida de Veronique - Krzysztof Kieslowski, 1991
41.    A Liberdade é Azul - Krzysztof Kieslowski, 1993
42.    A Igualdade é Branca - Krzysztof Kieslowski, 1993
43.    A Fraternidade é Vermelha - Krzysztof Kieslowski, 1994
44.    Central do Brasil - Walter Salles, 1998
45.    Fale com ela - Pedro Almodóvar, 2002
46.    Cidade de Deus - Fernando Meirelles, 2002
47.    Closer - Mike Nichols, 2004
48.    Eternal Sunshine of The Spotless Mind - Michel Gondry, 2004
49.    O Cheiro do ralo - Heitor Dhalia, 2006
50.    Tropa de Elite - José Padilha ,2007

16 agosto, 2009

London Log

Acabou-se o relato de nossa vida em Londres.
Faltou muito o que contar.
Vivemos tudo intensamente.
Ficam as lembranças e nós também passamos a ser lembranças de outros.
O Mundo ficou menor.
Agora o recomeço, sob o sol.

09 julho, 2009

“família de espírito” de Saramago

“Em primeiro lugar Camões porque todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.”

Na minha genealogia entra Machado de Assis, entra Nelson Rodrigues, Jorge Amado, García Márquez, e claro José Saramago.


Update: Atendendo ao pedido do LEo. Colo o que escrevi num trabalho do mestrado:

the conciseness and intensity of Nelson Rodrigues; the criticism and elegance of José Saramago; the imagery and light-heartedness of Gabriel García Márquez.

E acrescento que Machado é a quintessência da nossa literatura, retrato de um Brasil ainda incipiente e do ser humano atemporal.

Sobre Jorge Amado recorro novamente ao José Saramago:
"Durante muitos anos Jorge Amado quis e soube ser a voz, o sentido e a alegria do Brasil. Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro. Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado. E para muita gente foi uma surpresa descobrir nos livros de Jorge Amado, com a mais transparente das evidências, a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira."

Pena que hoje só haja Paulo Coelho "representando" nossa literatura nas prateleiras mundo afora.

03 junho, 2009

Viajante

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já."

Viagem a Portugal de José Saramago

17 abril, 2009

Fragmentos #3

Era escuro e frio. A esperança se esvaía pouco a pouco, o fio tênue que restava era o que lhes mantinha vivos. A mais obscura face da natureza humana se revelou sem censura. Dor e sofrimento se ressignificavam naquele lugar infame. Tampouco alegria tinha ali o mesmo sentido.

A luz do sol matutina e sorrateira entrava, e seu efeito não era o esperado. Permanecia escuro e frio. Que lugar é esse onde nem o sol dá jeito?

15 abril, 2009

Coffee

- Coffee?

- Sure.

-  I really got to disagree with you, though.

- I knew you would.

- Am I really that predictable?

- That’s not the point. But when you know someone for over three decades…

- What? Now I am worried. You come here make conversation, start talking about
all this serious shit, and now imply that you know me for over three decades. I’m
only thirty-five, you know?


- You got me wrong.

- I think you got everything wrong, sir.

- I didn’t mean to scare you.

- But you sure did.

- Sorry. Could you bring me a doughnut please? You know, you shouldn’t take life so seriously.

- Well, life is the only thing worthy taking seriously.

- Now, I got to disagree with you, lady. Life must be easy. We are not here for
long. It is a sure thing that we’re all going to go. Yet we keep counting our
time here. Now, this doughnut is a serious thing! Do you know what would be better?


- Muffins?

- No. I mean better than counting the years we have been in this world; to count
the time remaining for us here. A countdown.


- We wouldn’t know. Nobody does.

- Well, I’ll be twenty-five next week.

- Really? You look like you are in your late thirties.

- You got me wrong again. I mean in twenty-five years and seven days I’ll be six feet under.

- You’re crazy.

- And you are thirty-nine.

- W-What?!

- I mean, you will be forty years old next month.

- How rude.

- You shouldn’t be sad or upset. You are every bit as beautiful as a thirty-nine-year-old.

- Who the hell are you anyway?

- Does it matter?

- Nobody knows I’m thirty-nine.

- I do.

- That’s the problem.

- On the contrary, ours is a more sincere relationship than any other you have.

- We don’t have a relationship.

- Maybe not yet. Do you see this painting behind me?

- Yes.

- It wasn’t a work of art before the painter finished the whole frame. Now it’s
known worldwide and you have a replica here. But first, Leonardo had to begin it.


- Are you comparing yourself to Da Vinci?

- No. I’m comparing you to Mona Lisa. Or even better, us.

- Do you think the Mona Lisa was meant to be?

-Absolutely. There are some things that are just meant to be, they are part of the universal
plan. No matter what, Leonardo Da Vinci would always paint the Mona Lisa,
anyhow. We, you and I, can start all over again, in a different way, but anyway…


- …We will end up together…

- Coffee?

- Sure.



 Leonardo Cunha

30 março, 2009

Correr

Não queria nada senão correr.
Mas já não corria havia tempo.
As crianças correm, aos velhos
resta contemplar. E na alma,
sem idade, nutrir o desejo infantil
de ir-se contra o vento,
que no instante da corrida
se une ao corpo, fluido e etéreo.
Nunca mais correria, pois
o corpo como um cárcere
não o permitia. Assim que no
momento derradeiro, seu corpo
finalmente se uniu ao vento,
levando a alma eterna
para um passeio lúdico,
definitivo.

06 março, 2009

Who watches the Watchmen?

I've watched, the film.
Quase tão bom quanto a Revista. Quase. Mas ainda um deleite.
Veja o filme e (principalmente) leia o livro!

Update:
Só a sequência incial já valeria o filme:

04 março, 2009

Conselho

Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos

Saramago, sempre ele, fala da urgência de reparar, de combater a cegueira. Será porque este nosso mundo necessita de combater as sombras? ele pergunta.

Sem porquês fica o conselho seguem-no os perspicazes.

23 janeiro, 2009

Amado, Saramago


Dois gênios da língua portuguesa daqui e dacolá, que com tantos momentos sublimes nos presenteiam.

19 janeiro, 2009

Desabafo (outra boa palavra do português)

"Mas antes de partir faria um pronunciamento em língua portuguesa, num português brasileiro e muito chulo, com palavras oxítonas terminadas em ão, e com nomes de árvores indígenas e pratos africanos que a apavorassem, um linguagem que reduzisse seu húngaro a zero."

Chico Buarque ou Zsoze Kósta

24 dezembro, 2008

Borgeando

A verdade é que vivemos adiando tudo o que é adiável; talvez todos nós saibamos no fundo que somos imortais e que, cedo ou tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.

J. L. Borges

13 dezembro, 2008

60 anos Direitos Humanos

A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

'E agora, que fazemos, que podemos nós fazer?'
Quase sem ter de pensar, respondi-lhe: 'Queres uma causa? Tens aí os direitos humanos.'
O mundo não daria pela falta se a Declaração fosse dada amanhã como nula e inexistente. O seu desaparecimento físico viria apenas confirmar a realidade objectiva da ineficácia de um texto cheio de boas intenções, reduzidas hoje a zero pela inoperância das entidades políticas responsáveis, a começar pelos governos e a terminar nas próprias Nações Unidas.” José Saramago


"Completei 60 anos a 10 de dezembro. Sou um dos mais destacados consensos entre os associados à ONU. Fui aprovada por 192 países. No entanto, raros os que me respeitam.
Infelizmente não recebi, até hoje, aprovação do Estado do Vaticano. Logo ele, que se propõe a defender os valores encarnados por Jesus, que coincidem com os meus.
Sou um projeto de futuro. Só à medida que eu for assumida e respeitada a humanidade haverá de desfrutar a felicidade como experiência pessoal e fenômeno coletivo.
Meu nome é Declaração Universal dos Direitos Humanos."
Frei Betto

13 novembro, 2008

10 anos

Há exatos dez anos acontecia minha festa de formatura no Santo Antônio. Foi uma noite divertida. Acima de tudo foi uma celebração do encerramento de 12 anos num colégio onde muito aprendi. Onde conheci algumas da melhores pessoas que passaram por minha vida.
13 de novembro de 1998, eu tinha 17 anos e meio.
Nesta foto do meu casamento estão alguns desses amigos que estavam lá.
O Gabriel, de bico, que só conheci em 1999 na Faculdade.
O Carrrara, desde 1994, Rey desde 1997, Samartini e Leo desde 1991.

24 outubro, 2008

Aprendiz

"Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser"

Vinícius de Moraes

30 agosto, 2008

Que nem Drumond

Leonardo amava Julieta que amava João
que amava Juliana que amava Gabriel
que era amado por todos.

21 julho, 2008

Pequenas Lembranças #10

Jogo

Quando era pequeno gostava de viajar sentado no banco de trás com os cotovelos apoiados nos bancos da frente, mirando reto a estrada. Assim evitava o enjoo. Certa vez lembro de viajar com meu pai e meu avô, seu pai. Mal o vovô acendeu um cigarro, não pude conter o vômito. Mas o que motivou o post foi um jogo que Vô Iraci fazia quando viajamos. Cada caminhão que vinha no sentido oposto da rodovia que fosse da Mercedes Benz representava um ponto para ele; todos de qualquer outra marca era ponto para mim. Lembro que ele ganhava quase sempre.

12 julho, 2008

Série séries #9

Cidade dos Homens

Dou um salto cronológico nesta série, para falar da melhor coisa que vi na Televisão brasileira, possivelmente, em toda minha vida. De fato, pela TV vi pouco, quase nada.

Cidade dos Homens produzida pela O2 foi exibida na Globo de 2002 a 2005. Conta a história da amizade dos personagens criados para o Curta-metragem que precedeu Cidade de Deus, Laranjinha e Acerola. A equipe de criação contou com profissionais da mais alta categoria, como, Cesar Charlone, Fernando Meireles, Jorge Furtado, Guel Arraes, Paulo Moreli, Regina Casé, Cao Hamburguer, Casseta & Planeta, etc. Aqui em Londres a série é bem afamada. E a biblioteca da minha Universidade tem DVDs com todos os capítulos. Assisti então a todos e me encantava e impressionava com a qualidade do programa. Roteiro, fotografia, edição tudo impecável, destaque para a atuação de Douglas Silva, que foi inclusive indicado ao Emmy.

O primeiro episódio é um primor. Apenas alguns da última temporada ficaram mais abaixo da média. Revi o longa que sucedeu o série e gostei mais desta vez. As partes do tráfico que me incomodavam muito, ficaram mais palatáveis, pois conhecia os personagens e suas dinâmicas.

Se não viu ainda corra e alugue ou baixe na internet, Cidade dos Homens.



10 julho, 2008

...

Há pouco tempo vivia num lugar sem passado.

Agora já há espaço para a nostalgia.

16 junho, 2008

Weezer - Red Album



Muito bem, mais um disco do Weezer. Banda que carrega o status de minha banda preferida em atividade. A competição ficou fácil com o Los hermanos fora do páreo. Não escuto muito das coisas novas que surgem, nada novo me chama atenção há algum tempo, talvez desde Is this it?. No mais Rock não está dominando meu Laptop hoje em dia.
Mas voltemos ao Weezer no seu sexto Album, o terceiro Self-titled. Depois do Azul e do Verde, agora é vez do Vermelho. Já tinha ouvido "Porks and Beans" a música é legal, e o vídeo, com referências e reverências aos hypes do YouTube é demais.
O CD tem as tradicionais 10 faixas, mais quatro bonus na edição Deluxe e ainda mais duas extras na versão Britânica.
"Troublemaker" a primeira faz uma apresentação à-la "My Name is Jonas", como pontuou o próprio Rivers Cuomo. As canções são bem auto-biográficas como de costume. Mas faltam a vitalidade das antigas. "Dreamin' " é a alegrinha da vez. Em "Thought I Knew" composta por Brian Bell, a banda troca de funções e esta surge como uma das mais diferentes e interessantes faixas do álbum.
A que me causou melhor impressão, contudo, foi "Cold Dark World" cuja melódia é do baixista Scott Shriner. A décima, "The Angel and the One", é como reza a tradição uma música mais melancólica.
As bonus-tracks também valem a pena, especialmente "Miss Sweeney", a preferida de Brian.
As impressões sobre as músicas mudam após várias audições. Mas uma coisa é fato há anos Weezer não é mais o que era, e a impressão causada pelo Blue Album ou pelo Pinkerton, dificilmente vai ser igualada.

27 maio, 2008

Guitar #7

Ethan was on the phone, and complained about the disturbing sounds made by the man and his guitar. Claire kept her eyes closed, and felt lighter than ever. Adolf smiled even more, led by memories brought by the tune. The old man got off on the following station and on his way out addressed a big smile towards Tom. Tom finished his song and went through the carriage asking for a helping contribution. Ethan, after all his complaints, was the only one to spare some change. Tom got his beer back and followed his way, not knowing how much he had affected people’s lives that afternoon.

04 março, 2008

Guitar #6

Jojo, who was next to him, with the eyes on the book, moved away and took a seat, trying to avoid that distressing sound. But now there was not only the reading, there was this country-like music mixing the thoughts. However it did not upset Jojo, it became a soundtrack that improved a quite tense part of the book.

28 fevereiro, 2008

Guitar #5

Tom walked in with the guitar over his shoulder and a can of Budweiser in his right hand. His eyes were sad, always wet. His steps were unsteady and he didn’t hit any passenger with his guitar just by chance. He crossed almost the whole carriage and stopped in front of the last door. He tried to stand still, but the movement of the train and the alcohol in his empty stomach made he move back and forth like in a weird dance. Carefully, Tom looked for something on the floor. He was satisfied with a gap between two seats, and there he laid his can of beer. He came back to the space near the door, got the guitar, hit the strings without making much noise. After a few attempts, Tom energetically played some chords and started singing loud. He sang sad songs about lost loves, and lost people much like himself.

26 fevereiro, 2008

Guitar #4

Jojo andava displicente, com atenção exclusiva ao seu livro, uma história da origem de Hannibal Lecter. Gostava de literatura assim, ágil e tensa, com algum suspense psicológico. Nas telas vira apenas o longa original, e isso quando era bem jovem, se lembra de pouco mais do que do aspecto medieval da máscara que continha o canibal. Nas páginas lera tudo que dizia respeito ao Dr. Lecter. Mal pisara na estação viu que o trem estava prestes a partir, e correu. As portas que já estavam cerradas foram reabertas pelo compadecido condutor. Jojo se pôs de pé frente a porta, olhos fixos na leitura.

25 fevereiro, 2008

Guitar #3

Alguém esperava Ethan. Sua esposa e sua filha unigênita. Contudo, não estava satisfeito. Não havia motivo aparente, mais estava irritadiço e sem paciência para nada e para ninguém. Seu trabalho demanda que circule bastante e use bastante o celular. Odiava telefones. Entrara no trem falando no celular, desligou, sentou-se, carregava também como de costume seu laptop, e um sacola com umas compras para casa. Gostava de fazer agrados para a filha, mas esquecera-se da mulher havia tempos. Ela notava.

02 fevereiro, 2008

Guitar #2

Do lado de Claire se sentou Adolf. Era criancinha de colo quando seu xará invadiu a Polônia e quis expandir o Terceiro Reich mundo afora. Passou a carregar o fardo de dividir o pré-nome com o mais notório déspota do seu século. Usar o bigode que usava era uma afronta, e só teve coragem de fazê-lo sexagenário. Já não tinha muito cabelo na cabeça e o resto dos pelos estavam brancos em sua maioria. Fazia um trabalho vonlutário e a essa hora já estava voltando para casa, satisfeito, embora não tivesse ninguém que o esperasse.



Guitar #1

Claire tinha os olhos fechados. Não sei se por causa do sol que brilhava intenso na altura do seu olhar, ou porque simplesmente queria fechar- se no seu próprio mundo. Cansada estava do mundo externo, cheio de preocupações, obrigações e distrações fúteis. Naquela tarde saíra de casa particularmente desanimada. Acordara tarde, comera qualquer coisa porque tinha de fazê-lo. Quedou-se frente a televisão sem prestar atenção às imagens. Vestira-se com desleixo, e saiu chateada por saber que logo estaria escuro. Ao se sentar na direção contrária à direção do trem, para ficar sozinha num banco, não se deu conta de que o sol estaria baixo e sua luz fraca de inverno viria de encontro a seu rosto.




Sent from Yahoo! - a smarter inbox.

01 janeiro, 2008

Coincidência

Nem eu, nem Julieta, nem Junia, nem Talita tínhamos assistido ao "Le Livre de Marie", antes de rodarmos nosso curta.

04 dezembro, 2007

Que nem Isadora

"The finest inheritance you can give to a child is to allow it to make its own way, completely on its own feet."
Isadora Duncan

03 dezembro, 2007

23 novembro, 2007

Studio 60 on the Sunset Strip



Isso é crítica de mídia na mídia. Só um trecho do piloto da série, que é uma das coisas mais interessantes e inteligentes que eu já vi na TV. Créditos para Aaron Sorkin e Thomas Schlamme.

Valsa nº6 Chopin

08 novembro, 2007

Arts is all the things that the rest of life is not

"The arts matter because they are universal; because they are non-material; because they deal with daily experience in a transforming way; because they question the way we look at the world; because they offer different explanations of that world; because they link us to our past and open the door to the future; because they work beyond and outside routine categories; because they take us out of ourselves; because they make order out of disorder and stir up the stagnant; because they offer a shared experience rather than an isolated one; because they encourage the imagination, and attempt the pointless; because they offer beauty and confront us with the fact of ugliness; because they suggest explanations but no solutions; because they present a vision of integration rather than disintegration; because they force us to think about the difference between the good and the bad, the false and the true. The arts matter because they embrace, express and define the soul of a civilisation. A nation without arts would be a nation that had stopped talking to itself, stopped dreaming, and had lost interest in the past and lacked curiosity about the future."
Jonh Tusa

28 outubro, 2007

Questionamentos

"Por quanto sofrimento precisamos passar para que consigamos abrir os olhos e ver?"
Questão colocada por Fernando Meirelles ao terminar de ler 'Ensaio sobre a Cegueira' de José Saramago.


"Quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só pra um playboy enrolar um baseado?"
Comentário do Capitão Nascimento no filme 'Tropa de Elite' escrito por José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel.

Catarina em Batismo de Sangue



Compilei a participação da Julieta no filme do Helvécio Ratton.

17 outubro, 2007

16 outubro, 2007

Chorou uma lágrima azul, como azul era o mundo, porque o mundo é feito só de lágrima.
Quando atingisse o chão seria seu fim.

14 outubro, 2007

Fragmentos #2

Antônio tinha seu trabalho exposto nos maiores museus do mundo, Louvre, Reina Sofia, British Museum etc. Não há quem veja Da Vinci, Vermeer, Picasso ou Van Gogh e não dê uma olhada na obra de Antônio. Não virou um ícone como os demais, morreu sem ter muito dinheiro nem reconhecimento. Mas era feliz, entendia sua posição. E tinha sim admiradores, sua mulher e seu filho. Um dia o filho de Antônio levando seus próprios filhos ao museu, mostrou orgulhoso:
- Olha meninos, outra obra de seu avô.
Um espertinho que passeava com a esposa, apressou-se em comentar:
- O senhor deve estar enganado este é um Caravaggio.
Humilde, retrucou:
- Não senhor, não falo do quadro, falo da moldura.
O homem se envergonhou e logo, pondo reparo na bela e elaborada moldura elogiou:
- Muito bonito o trabalho do seu avô meninos. - E nunca mais olhou para um quadro sem observar sua moldura e pensar na pessoa que a teria feito.

Fragmentos #1

Entrou em trabalho de parto no metrô, entre duas estações. Sua respiração ficou curta, ofegante e ressonante. Um filete de água saía dos seus pés, passando pelos pés da filha de oito anos e escoava pela fresta da porta. A filha que em breve deixaria de ser unigênita, gritou baixo e agudo. Logo todos os olhares do vagão se voltaram para a mulher oriental de proeminente barriga. Ninguém sabia bem o que fazer. O polaco que tomava uma lata de cerveja pensou em oferecer um gole à mulher, já não raciocinava bem após a décima-sexta latinha. Tomaria a de número dezessete, sentado no banco de uma estação que não era a sua, mas afinal qual seria seu destino? O rapaz que carregava um buquê de flores vermelhas tomou o cuidado de colocá-lo, delicadamente, sobre um banco vazio,antes de se aproximar da gestante. Mais tarde, a namorada recente custaria a acreditar em tal desculpa por não ter recebido nem flores, nem nada, no seu aniversário de um mês. No Natal o bebê provaria chocolate pela primeira vez, sua irmã mais velha, nunca teria filhos, marcada pelo trauma do parto na estação. Muitos meses depois, um cão, filhote ainda, ao passear com seu dono, um negro calado e triste, ficou ouriçado com um cheiro inédito que sentiu num vagão qualquer.

12 outubro, 2007

A morte e a morte de Paulo Autran

Um dia, cheguei no TU mais cedo para a aula e um rumor corria a escola; Paulo Autran havia morrido. Num escola de teatro tal acontecimento causa comoção. E não se falava em outra coisa. Até que surgiu o boato de que Lacraia (!) também tinha morrido.
Falando com Linares, o diretor, ele se limitou em dizer, Grande perda para o Teatro. Vale lembrar que o texto que fiz para o monólogo de teste para entrar no TU foi da peça "Liberdade" originalmente escrita para o ator. Após a aula saímos, vários alunos, fomos ao Quase Nada. Julieta ainda era somente minha amiga, neste dia se não me engano a Duda veio encontrá-la para sairem, as amigas. Na mesa do bar fizemos um brinde ao Paulo Autran.
No outro dia confirmou-se que ele não tinha morrido era nada. Estava vivo e ativo. Nunca se soube quem começou o boato, como ou porquê. Cheguei a vê-lo no palco por duas vezes. Uma peça com Cecil Thiré, "Variações Enigmáticas" e seu monólogo "Quadrante". Aliás, sob o mesmo título, Paulo Autran apresentava um quadro na rádio BandNews. Esses três minutos enchiam de arte e emoção (além de admiração) meu trajeto de fim de tarde, do trabalho para casa. Por mais de um ano ouvi as crônicas, poemas e contos de diversos autores na voz deste gênio da interpretação, diariamente, às 17:15.
Agora estou em Londres de onde pensei em ouvi-lo via internet. Ainda não tinha feito isso, até que vejo num site qualquer a notícia da morte de Autran. Agora sim ele se foi, aos 85 anos, deixando um legado importantíssimo, e a certeza de uma vida bem vivida. Tentem ouvi-lo no site da BandNews.
E vamos ao Teatro!

06 outubro, 2007

Acaso

Andando distraído, conversando sobre celebridades, me deparei com
Dustin Hoffman num set de filmagem!

update: de costas é a
Emma Thompson.

16 setembro, 2007

Pequenas Lembranças #9

Palavras

Mal era alfabetizado. Para mim existiam duas coisas diferentes, o espaço; lugar entre uma coisa e outra, e o espacio; onde ficam os planetas e estrelas, Espacio Sideral.

E ainda achava que o líquido que corre em nossas veias e artérias se chamasse sangre. Mais tarde, refletindo sobre, vi que pensava assim por causa do verbo sangrar e mais recentemente descobri que é assim que dizem em espanhol.

13 setembro, 2007

Série séries #8

Felicity

Gostei muito desta série. A história de Felicity causou em mim grande empatia. Vivi situações muito semelhantes às da protagonista, entrei na faculdade junto com ela e me formei também.
A fotografia é mais dark, mas de uma beleza que me fascinava.
O criador do programa é J.J. Abrams(Com Matt Reeves), sim o mesmo de Lost!
Vale a pena conferir a história de Felicity (a bela Keri Russell), Ben (Scott Speedman) e Noel(Scott Foley).
Perdi a última temporada, mas sei que há coisas meio sobrenaturais, um dia ainda vejo.
Abaixo o vídeo da abertura da primeira temporada.

10 setembro, 2007

Hai-kai #7

Cuidar dos seus
algo que se deve valorizar
contar com família e Deus

3/03/2005


Sua imagem estivera por horas refletida
sem embargo, naturalmente, sumiu.
Será que Alice atravessou o espelho?


4/03/2005

Destroços de uma paixão
Descontrole da emoção
Desmancha em cacos o coração


5/03/2005

03 setembro, 2007

Pequenas Lembranças #8

Mágico

Quando era bem pequeno tomava banho junto com meu pai, sei disso, mas não lembro muito mais do que suas mágicas. Sim, durante o banho, ele fazia truques de mágicas que faziam coisas desaparecerem de suas mãos para surgirem depois em outra parte. Tudo guiado pela musiquinha, à guisa de palavra mágica; Laim-ah-ra. Talvez nessa época achasse mesmo que meu pai fosse mágico. Ficou o momento.

28 agosto, 2007

Série séries #7

Friends








Difícil não gostar de Friends. Foi talvez a série em que mais me viciei. Esperava ansioso pelos episódios inéditos de terça-feira e ainda assistia diariamente às reprises.

São os amigos que qualquer um queria ter, bonitos simpáticos. As situações que vivenciam são menos marcantes e reais que as de Seinfeld, mas não menos deleitosas para o espectador.

Nova Iorque se fazia, na série, extremamente atraente, na figura do inverossímil Central Perk (os autores brincaram com isso algumas vezes, uma vez os amigos entram e não encontram lugar para se sentar e partem desconsolados, em outra Chandler expulsa uns garotos que se sentaram no sofá deles.)

Seus criadores são David Crane e Marta Kauffman (de outra serie de que gosto) fizeram dos seis personagens principais ícones pop (os atores chegaram a ganhar 1 milhão de dólares por episódio) e criaram uma grande saga em dez temporadas.

23 agosto, 2007

Hai-kai #6

Uma volta, uma ida,
um destino traçado além.
Uma incognita chamada vida.


28/02/2005

Jesus fazia teatro
o deserto foi seu palco
Deus seu diretor


1/03/2005

Do passado uma figura
que envelhece e se esvai, mas,
num rincão de memória, perdura.


2/03/2005

15 agosto, 2007

Pequenas Lembranças #7

Furos

Um dia chegou no apartamento da rua Amparo um ser pequeno e careca. Era o terceiro deste tipo. Desta vez mais magro, de choro mais estridente, desta vez menina. Passaram pouquíssimos dias de sua chegada, talvez nem um completo, e entrou uma enfermeira no quarto de meus pais, onde ficava o bebê. Haviam me adiantado o que iria acontecer, fiquei de espreita na sala adjacente e de lá ouvi o choro e os dois estampidos secos que furaram os lóbulos da minha irmã, a quem chamaria Dedeza, Dedê, Pitinina, e hoje simplesmente Andreza. Saiu do quarto com um brinquinho de ouro com, salvo engano, uma pequena pérola, em cada orelha.

Por mais que me dissessem que não doía, me causava espanto que fizessem algo tão bruto a um ser tão pequenino e frágil.

09 agosto, 2007

Ramones no CBGB's


Quisera estar ali.
Um momento seminal, de vanguarda.
Energia em seu estado puro, feita em música.

08 agosto, 2007

Hai-kai #5

Pra mim chega
Eu não agüento mais
Eutanásia

24/02/2005

Se eu pudesse ficava ali
mas meu tempo acabou
o que de bom ficou não tem fim

25/02/2005

Uma festa da Industria e do Capital
e seus artistas em breves momentos
de protesto velado e beleza transcendental

27/02/2005

02 agosto, 2007

Terra

“Parecia tão frágil, tão delicada, que se tocasse com o dedo ela ia esfarelar e se desmanchar.” Isso é de James Irwin, membro da tripulação da Apollo 15.

O astronauta Loren Acton disse tê-la visto “contida no revestimento fino, móvel e incrivelmente frágil da biosfera.”

Para Aleksei Leonov, o primeiro homem a andar no espaço, a Terra parecia “comoventemente sozinha.”

E quando o controle de terra perguntou a Vitali Sevastyanov o que ele viu, ele respondeu, “Meio mundo à esquerda, meio mundo à direita, posso ver tudo. A Terra é tão pequena.”

Neil Armstrong disse, “Levantei o polegar e fechei um dos olhos, e meu polegar ocultou o planeta Terra. Não me senti um gigante. Me senti muito, muito pequeno.” E Neil Armstrong mencionou um sentimento que era “complexo, implacável.”

E Ulf Merbold: “Pela primeira vez na vida, vi o horizonte como uma linha curva, acentuada por uma fina camada de luz azul-escura. Sua aparência frágil me aterrorizou.”

Em 18 de março de 1965, Alexei Leonov saiu da cápsula principal da Voskhod2 empurrando-se de cabeça pela abertura. Um cordão de segurança de cinco metros o prendia à nave. Se arrebentasse, ele vagaria para sempre. Embora a espaçonave estivesse viajando em grande velocidade, não havia ar correndo ao redor para que ele pudesse senti-lo. Ele girou devagar por dez minutos. Mas quando o co-piloto Belyayev ordenou-lhe que voltasse, ele não quis retornar.

Alguns meses depois, Edward White andou no espaço por 20 minutos, embora o termo seja enganoso, pois o movimento é de queda livre ou flutuação. Vista a 25 quilômetros de distância, a terra era quase incaracterística. Quando voltou para a espaçonave, ele tinha perdido 5kg de massa corporal e 2kg de transpiração tinham se acumulado em suas botas. Mas ele também não quis retornar à cápsula. Quando recebeu ordem de voltar à nave espacial, ele disse, “Esse é o momento mais triste da minha vida.” Seu co-piloto o puxou de volta. Em 27 de janeiro de 1967, dois anos depois de sua caminhada no espaço, Edward White morreu num incêndio no Complexo de Lançamento 34 da Estação Aérea do Cabo Canaveral. Ele tinha entrado na Apolo 1 para uma contagem regressiva simulada, junto com o Piloto de Comando Grissom e o Piloto Roger Chaffee, quando o incêndio começou. Anos depois, a esposa de White tirou a própria vida.

31 julho, 2007

Hai-kai #4

A memória do vermelho,
onde aprendi a ver
o rosto do ator no espelho.


21/02/2005

Medo do escuro, medo do silêncio
Pedia a Deus por luz
Recebeu muita música

22/02/2005

Branca de neve
Alva de pele
Alvo da peste

23/02/2005

23 julho, 2007

Manoel de Barros

MEMÓRIAS INVENTADAS: A INFÂNCIA

O Apanhador de Desperdício


Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não uso das palavras

Fatigadas de informar.
(...)

Dou importância às coisas desimportantes

E aos seres desimportantes
(...)
Prezo a velocidade

das tartarugas mais do que as dos mísseis.
(...)

17 julho, 2007

Os Incompreendidos



Pequenas Lembranças #6

Nomes


Eu me lembro – e esta é uma de minhas lembranças mais antigas, com data marcada – de estarmos deitados minha mãe e eu em sua cama, e discutíamos que nome teria meu irmão que ela esperava. Eu como terceiro membro da família fui consultado. Minhas sugestões consistiam em nomes de coleguinhas da escola, daqueles de quem mais gostava. Meu universo, então, era bem restrito. Lembro de sugerir Ricardo, e Carolina, não se sabia naquela época o sexo do bebê até que este nascesse. Carolina foi rechaçado porque minha priminha que viria a nascer na mesma época se chamaria, Ana Carolina, caso fosse menina. Não lembro se sugeri Alexandre, mas assim foi chamado meu irmão que nasceu em 10 de junho de 1984, um dia depois da Ana Carolina. O que delimita esta lembrança a princípios do ano de 1984, quando eu estava prestes a completar 3 anos de idade. Talvez já tivesse feito, mas acho que não, pois não lembro que minha mãe estivesse com barrigão de 8 meses, mas a memória falha.

16 julho, 2007

Hai-kai #3

Depois da chuva
a bonança.
Deus realmente não se cansa...

17/02/2005

Se és desapegado de dinheiro
de pai rico ou vô milionário
deves ser herdeiro

18/02/2005

Os que torcem contra o vento,
num domingo de sol quente,
choraram com o filho do vento.


20/02/2005

12 julho, 2007

Série séries #6

Seinfeld

Outra série genial. Criada por Larry David e pelo próprio Jerry. Seinfeld é a quintessência da comédia de situações. Um programa sobre o nada, como eles mesmos brincam metalingüisticamente, que acaba sendo sobre tudo e todos. Quem nunca vivenciou uma situação que fizesse lembrar este ou aquele episódio de Seinfeld.

São atores competentíssimos, dando suporte a personagens excelentes (especialmente o quarteto Jerry, George, Elaine e Kramer). O texto é sempre ágil e divertido. O principal roteirista é Larry David, que tem em George Costanza seu alter-ego, e fazia a voz do presidente do NY Yankees. David deixou o programa na sétima temporada e voltou para escrever o último episódio.













Comecei a ver esta sitcom em 1998, na nona e última temporada. Na altura em que vi o episódio final tinha assistido a poucos episódios, mas já tinha me envolvido e sabia que estava testemunhando o fim de algo histórico para a televisão. Depois disso passei a ver as reprises e acho que cheguei a ver todos os episódios das nove temporadas. É uma série que nunca me canso de ver, a qualquer momento que estiver reprisando sou tentado a parar para assistir, e sou bem recompensado.


10 julho, 2007

Hai-kai #2

- E se o Céu caisse
e o Inferno Subisse?
- Aí, teriam duas Terras

Escolher a cor
Colher a flor
presentear seu amor

15/02/2005

O vento entrou
e apagou a vela.
Já era tarde demais


16/02/2005

09 julho, 2007

Hai-kai #1

Olhou e não viu.
Quando viu,
sorriu

11/02/2005

O Cinema dos meus olhos
nos olhos
dos meus amores

Na vibração de milhares
se misturam
dois novos olhares

13/02/2005

06 julho, 2007

Série Hai-kai



Por um período escrevia um Hai-kai por dia.

A tradição do Hai-kai surgiu no Japão, originalmente eram três versos, um verso pentassílabo (5 sílabas métricas), um heptassílabo (7 silabas métricas) e novamente um pentassílabo.
A pronuncia correta é raicu e por razões óbvias usa-se no Brasil, raicai mesmo.

O mais famoso haicai de Basho, o mais famoso poeta japonês, goes like that:

um velho tanque
o sapo pula dentro--
o som da água


Eisenstei para desenvolver sua teoria sobre montagem cinematográfica citou Basho:

Um corvo solitário
sobre um galho sem folhas,

uma noite de outono


"Do nosso ponto de vista, estas são frases de montagem."disse.

O preparador de elenco Sérgio Penna, após um treino, pede aos atores que resumam em um Hai-kai, o sentimento deixado pela cena, e o utilizem posteriormente ao filmar.

Vou publicar aqui alguns dos Hai-kais que criei naquela época,
enjoy.