30 março, 2009

Correr

Não queria nada senão correr.
Mas já não corria havia tempo.
As crianças correm, aos velhos
resta contemplar. E na alma,
sem idade, nutrir o desejo infantil
de ir-se contra o vento,
que no instante da corrida
se une ao corpo, fluido e etéreo.
Nunca mais correria, pois
o corpo como um cárcere
não o permitia. Assim que no
momento derradeiro, seu corpo
finalmente se uniu ao vento,
levando a alma eterna
para um passeio lúdico,
definitivo.

06 março, 2009

Who watches the Watchmen?

I've watched, the film.
Quase tão bom quanto a Revista. Quase. Mas ainda um deleite.
Veja o filme e (principalmente) leia o livro!

Update:
Só a sequência incial já valeria o filme:

04 março, 2009

Conselho

Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos

Saramago, sempre ele, fala da urgência de reparar, de combater a cegueira. Será porque este nosso mundo necessita de combater as sombras? ele pergunta.

Sem porquês fica o conselho seguem-no os perspicazes.

23 janeiro, 2009

Amado, Saramago


Dois gênios da língua portuguesa daqui e dacolá, que com tantos momentos sublimes nos presenteiam.

19 janeiro, 2009

Desabafo (outra boa palavra do português)

"Mas antes de partir faria um pronunciamento em língua portuguesa, num português brasileiro e muito chulo, com palavras oxítonas terminadas em ão, e com nomes de árvores indígenas e pratos africanos que a apavorassem, um linguagem que reduzisse seu húngaro a zero."

Chico Buarque ou Zsoze Kósta

24 dezembro, 2008

Borgeando

A verdade é que vivemos adiando tudo o que é adiável; talvez todos nós saibamos no fundo que somos imortais e que, cedo ou tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.

J. L. Borges

13 dezembro, 2008

60 anos Direitos Humanos

A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

'E agora, que fazemos, que podemos nós fazer?'
Quase sem ter de pensar, respondi-lhe: 'Queres uma causa? Tens aí os direitos humanos.'
O mundo não daria pela falta se a Declaração fosse dada amanhã como nula e inexistente. O seu desaparecimento físico viria apenas confirmar a realidade objectiva da ineficácia de um texto cheio de boas intenções, reduzidas hoje a zero pela inoperância das entidades políticas responsáveis, a começar pelos governos e a terminar nas próprias Nações Unidas.” José Saramago


"Completei 60 anos a 10 de dezembro. Sou um dos mais destacados consensos entre os associados à ONU. Fui aprovada por 192 países. No entanto, raros os que me respeitam.
Infelizmente não recebi, até hoje, aprovação do Estado do Vaticano. Logo ele, que se propõe a defender os valores encarnados por Jesus, que coincidem com os meus.
Sou um projeto de futuro. Só à medida que eu for assumida e respeitada a humanidade haverá de desfrutar a felicidade como experiência pessoal e fenômeno coletivo.
Meu nome é Declaração Universal dos Direitos Humanos."
Frei Betto

13 novembro, 2008

10 anos

Há exatos dez anos acontecia minha festa de formatura no Santo Antônio. Foi uma noite divertida. Acima de tudo foi uma celebração do encerramento de 12 anos num colégio onde muito aprendi. Onde conheci algumas da melhores pessoas que passaram por minha vida.
13 de novembro de 1998, eu tinha 17 anos e meio.
Nesta foto do meu casamento estão alguns desses amigos que estavam lá.
O Gabriel, de bico, que só conheci em 1999 na Faculdade.
O Carrrara, desde 1994, Rey desde 1997, Samartini e Leo desde 1991.

24 outubro, 2008

Aprendiz

"Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser"

Vinícius de Moraes

30 agosto, 2008

Que nem Drumond

Leonardo amava Julieta que amava João
que amava Juliana que amava Gabriel
que era amado por todos.

21 julho, 2008

Pequenas Lembranças #10

Jogo

Quando era pequeno gostava de viajar sentado no banco de trás com os cotovelos apoiados nos bancos da frente, mirando reto a estrada. Assim evitava o enjoo. Certa vez lembro de viajar com meu pai e meu avô, seu pai. Mal o vovô acendeu um cigarro, não pude conter o vômito. Mas o que motivou o post foi um jogo que Vô Iraci fazia quando viajamos. Cada caminhão que vinha no sentido oposto da rodovia que fosse da Mercedes Benz representava um ponto para ele; todos de qualquer outra marca era ponto para mim. Lembro que ele ganhava quase sempre.

12 julho, 2008

Série séries #9

Cidade dos Homens

Dou um salto cronológico nesta série, para falar da melhor coisa que vi na Televisão brasileira, possivelmente, em toda minha vida. De fato, pela TV vi pouco, quase nada.

Cidade dos Homens produzida pela O2 foi exibida na Globo de 2002 a 2005. Conta a história da amizade dos personagens criados para o Curta-metragem que precedeu Cidade de Deus, Laranjinha e Acerola. A equipe de criação contou com profissionais da mais alta categoria, como, Cesar Charlone, Fernando Meireles, Jorge Furtado, Guel Arraes, Paulo Moreli, Regina Casé, Cao Hamburguer, Casseta & Planeta, etc. Aqui em Londres a série é bem afamada. E a biblioteca da minha Universidade tem DVDs com todos os capítulos. Assisti então a todos e me encantava e impressionava com a qualidade do programa. Roteiro, fotografia, edição tudo impecável, destaque para a atuação de Douglas Silva, que foi inclusive indicado ao Emmy.

O primeiro episódio é um primor. Apenas alguns da última temporada ficaram mais abaixo da média. Revi o longa que sucedeu o série e gostei mais desta vez. As partes do tráfico que me incomodavam muito, ficaram mais palatáveis, pois conhecia os personagens e suas dinâmicas.

Se não viu ainda corra e alugue ou baixe na internet, Cidade dos Homens.



10 julho, 2008

...

Há pouco tempo vivia num lugar sem passado.

Agora já há espaço para a nostalgia.

16 junho, 2008

Weezer - Red Album



Muito bem, mais um disco do Weezer. Banda que carrega o status de minha banda preferida em atividade. A competição ficou fácil com o Los hermanos fora do páreo. Não escuto muito das coisas novas que surgem, nada novo me chama atenção há algum tempo, talvez desde Is this it?. No mais Rock não está dominando meu Laptop hoje em dia.
Mas voltemos ao Weezer no seu sexto Album, o terceiro Self-titled. Depois do Azul e do Verde, agora é vez do Vermelho. Já tinha ouvido "Porks and Beans" a música é legal, e o vídeo, com referências e reverências aos hypes do YouTube é demais.
O CD tem as tradicionais 10 faixas, mais quatro bonus na edição Deluxe e ainda mais duas extras na versão Britânica.
"Troublemaker" a primeira faz uma apresentação à-la "My Name is Jonas", como pontuou o próprio Rivers Cuomo. As canções são bem auto-biográficas como de costume. Mas faltam a vitalidade das antigas. "Dreamin' " é a alegrinha da vez. Em "Thought I Knew" composta por Brian Bell, a banda troca de funções e esta surge como uma das mais diferentes e interessantes faixas do álbum.
A que me causou melhor impressão, contudo, foi "Cold Dark World" cuja melódia é do baixista Scott Shriner. A décima, "The Angel and the One", é como reza a tradição uma música mais melancólica.
As bonus-tracks também valem a pena, especialmente "Miss Sweeney", a preferida de Brian.
As impressões sobre as músicas mudam após várias audições. Mas uma coisa é fato há anos Weezer não é mais o que era, e a impressão causada pelo Blue Album ou pelo Pinkerton, dificilmente vai ser igualada.