31 julho, 2007
Hai-kai #4
onde aprendi a ver
o rosto do ator no espelho.
21/02/2005
Medo do escuro, medo do silêncio
Pedia a Deus por luz
Recebeu muita música
22/02/2005
Branca de neve
Alva de pele
Alvo da peste
23/02/2005
30 julho, 2007
23 julho, 2007
Manoel de Barros
O Apanhador de Desperdício
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não uso das palavras
Fatigadas de informar.
(...)
Dou importância às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes
(...)
Prezo a velocidade
das tartarugas mais do que as dos mísseis.
(...)
17 julho, 2007
Pequenas Lembranças #6
Nomes
Eu me lembro – e esta é uma de minhas lembranças mais antigas, com data marcada – de estarmos deitados minha mãe e eu em sua cama, e discutíamos que nome teria meu irmão que ela esperava. Eu como terceiro membro da família fui consultado. Minhas sugestões consistiam em nomes de coleguinhas da escola, daqueles de quem mais gostava. Meu universo, então, era bem restrito. Lembro de sugerir Ricardo, e Carolina, não se sabia naquela época o sexo do bebê até que este nascesse. Carolina foi rechaçado porque minha priminha que viria a nascer na mesma época se chamaria, Ana Carolina, caso fosse menina. Não lembro se sugeri Alexandre, mas assim foi chamado meu irmão que nasceu em 10 de junho de 1984, um dia depois da Ana Carolina. O que delimita esta lembrança a princípios do ano de 1984, quando eu estava prestes a completar 3 anos de idade. Talvez já tivesse feito, mas acho que não, pois não lembro que minha mãe estivesse com barrigão de 8 meses, mas a memória falha.
16 julho, 2007
Hai-kai #3
a bonança.
Deus realmente não se cansa...
17/02/2005
Se és desapegado de dinheiro
de pai rico ou vô milionário
deves ser herdeiro
18/02/2005
Os que torcem contra o vento,
num domingo de sol quente,
choraram com o filho do vento.
20/02/2005
12 julho, 2007
Série séries #6
Outra série genial. Criada por Larry David e pelo próprio Jerry. Seinfeld é a quintessência da comédia de situações. Um programa sobre o nada, como eles mesmos brincam metalingüisticamente, que acaba sendo sobre tudo e todos. Quem nunca vivenciou uma situação que fizesse lembrar este ou aquele episódio de Seinfeld.
Comecei a ver esta sitcom em 1998, na nona e última temporada. Na altura em que vi o episódio final tinha assistido a poucos episódios, mas já tinha me envolvido e sabia que estava testemunhando o fim de algo histórico para a televisão. Depois disso passei a ver as reprises e acho que cheguei a ver todos os episódios das nove temporadas. É uma série que nunca me canso de ver, a qualquer momento que estiver reprisando sou tentado a parar para assistir, e sou bem recompensado.
10 julho, 2007
Hai-kai #2
e o Inferno Subisse?
- Aí, teriam duas Terras
Escolher a cor
Colher a flor
presentear seu amor
15/02/2005
O vento entrou
e apagou a vela.
Já era tarde demais
16/02/2005
09 julho, 2007
Hai-kai #1
Quando viu,
sorriu
11/02/2005
O Cinema dos meus olhos
nos olhos
dos meus amores
Na vibração de milhares
se misturam
dois novos olhares
13/02/2005
06 julho, 2007
Série Hai-kai
Por um período escrevia um Hai-kai por dia.
A tradição do Hai-kai surgiu no Japão, originalmente eram três versos, um verso pentassílabo (5 sílabas métricas), um heptassílabo (7 silabas métricas) e novamente um pentassílabo.
A pronuncia correta é raicu e por razões óbvias usa-se no Brasil, raicai mesmo.
O mais famoso haicai de Basho, o mais famoso poeta japonês, goes like that:
um velho tanqueo sapo pula dentro--
o som da água
Eisenstei para desenvolver sua teoria sobre montagem cinematográfica citou Basho:
Um corvo solitário
sobre um galho sem folhas,
uma noite de outono
"Do nosso ponto de vista, estas são frases de montagem."disse.
O preparador de elenco Sérgio Penna, após um treino, pede aos atores que resumam em um Hai-kai, o sentimento deixado pela cena, e o utilizem posteriormente ao filmar.
Vou publicar aqui alguns dos Hai-kais que criei naquela época, enjoy.
22 junho, 2007
100 anos... 100 filmes, 10 anos depois
Sobre as novas entradas na lista, muitos dos antigos não vi, mas "12 Angry Men" (Doze homens e uma sentença), "Who's Afraid of Virginia Woolf?" (Quem tem medo de Virginia Woof?) e "Spartacus" demorou! Dos pós-1998, discordo de quase todos, talvez "O Senhor dos Anéis : A sociedade do anel" merecesse sim, mas e as outras duas partes? Difícil avaliar um filme de três partes.
Acho uma pena terem saído da lista "All quiet on the western front" (Sem novidades no Front) um excelente filme de guerra de 1930, "Fargo" outro dia revi e gostei muito mais que da primeira vez, "Frankenstein" sempre um clássico, "Stagecoach"(No tempo das diligências) - um marco de John Ford, com a consolação de "The Searches" (Rastro de ódio) outro western de Ford ter subido 84 posições. Saiu "A place in the sun" (Um lugar ao sol) adaptação de George Stevens para o clássico de Murnau "Sunrise"(Aurora) que entrou agora. Stevens também ficou de fora com "Giant" (Assim Caminha a Humanidade), com James Dean, ator que ficou fora com outro filme seu "Rebel without a cause"(Juventutde Transviada). Outro que dançou foi Frank Sinatra, o old blue eyes teve seus dois filmes eliminados, "From here to eternity" (A um passo da eternidade), "The Manchurian Candidate"(Sob o domínio do mal).
Dos meus favoritos "The Graduate" (A Primeira Noite de homem) saiu do top 10, mas em compensação "Raging Bull" (Touro Indomável) subiu 20 posições e ficou em quarto, desbancando o chato "Gone with the wind"(E o vento levou). Charlie Chaplin finalmente teve vez com seu belíssimo "City Lights"(Luzes da Cidade) subindo 65 posições e quase fazendo o top 10. E "The Godfather" (O Poderoso Chefão) ficou em segundo, afinal "Citizen Kane" (Cidadão Kane) é mesmo imbatível.
15 junho, 2007
Pequenas Lembranças #5
Cheiro
Fato que é que estas coisas estão coladas, o cheiro da planta, a casa da vovó, minha infância.
08 junho, 2007
Pequenas Lembranças #4
Xixi
Quando era pequenino, não sei se por um senso prático (o que se aproxima muito de preguiça) ou o quê, gostava de fazer xixi num ralinho que havia na área de serviço do apartamento (a bem da verdade era o mesmo cômodo que a cozinha). Na minha cabeça não fazia a menor diferença, o xixi ia para o esgoto do mesmo jeito. Ainda ficava orgulhoso por não ter respingado nada para fora do ralo, o que era facilitado por minha baixa estatura.
Minha mãe, claro, não gostava da idéia. Depois, passei a fazer meu xixi no bidê, gostava também de mirar bem no ralinho. Parece que eu não gostava mesmo de dar descarga, ou levantar a tampa do vaso, qualquer coisa que dificultasse o processo. Talvez já fosse um senso de economia, já que hoje acho um absurdo o tanto de água tratada que se gasta em descargas por aí.
Um dia, já estava ficando maiorzinho, fiz uma promessa se não me engano a Nossa Senhora, de que não faria mais xixi no bidê. Foi a única maneira de cortar esse meu curioso hábito.
06 junho, 2007
Série séries #5
A cada episódio vivíamos junto com a tripulação da Enterprise uma aventura diferente, indo aonde nem homem jamais esteve. As aventuras eram narrativamente muito bem amarrados, e cativantes, com todos os elementos que viriam a influenciar produtores nos anos vindouros.
Tem ainda o detalhe de que nesta série ocurreu o primeiro beijo interracial da TV americana, entre Uhura e Kirk.
Assisti a Star Trek numa época muito gostosa da minha vida, logo antes da faculdade, quando ficava em casa durante o dia, e podia ver as reprises na Band, as onze da manhã.
Pequenas Lembranças #3
O Prédio
No prédio onde morávamos no Barroca, na Rua Amparo, havia muitas crianças. E meus vizinhos vinham bater na minha porta, me chamar para brincar. Não me lembro de alguma vez ir eu mesmo chama-los. Muitas vezes ficava feliz com o convite, mas às vezes ficava com preguiça. Perguntava a minha mãe se podia, poucas vezes ela negava. Nosso playground era a área de manobra da garagem do prédio. Não lembro bem do que brincávamos, sei que pique-pega era um dos favoritos, e jogos com bola eram mais raros. Tínhamos um vizinho de muro, onde a bola sempre caia, era uma luta recuperá-la. Ainda não entendo tamanha impaciência com bolas extraviadas. Minha vó contava histórias medonhas de tempos remotos em que o vizinho intolerante furava a bola com uma faca diante dos olhos atônitos dos meninos.
05 junho, 2007
Pequenas Lembranças #2
Da minha primeira escola pouco lembro, ficava mais embaixo na minha rua mesmo a Amparo. Lembro ter dificuldade com seu nome, sempre confundia com Sovertinho, algo que acabo de constatar, ainda me acontece. Uma leve dislexia (a exemplo de Saramago) sempre me perseguiu. Quando criança dizia Mánica, ao me referir às maquinas, e caçapete ao referir ao equipamento de segurança. Não consta que fizesse o erro clássico de chamar aquela praga dos cinemas de popica. Depois da alfabetização passei a confundir “V” com “F” amiúde, até hoje me acontece de quando em vez e tenho que pensar em palavras óbvias como FACA e VACA ou FOGO, etc. Às vezes acontece com T e D, e outras letras também.
04 junho, 2007
Série séries #4
A série foi mais uma das que começou legal e depois se perdeu, assisti só às primeiras temporadas mesmo. Outro dia revi o piloto e é realmente bem interessante.
Pequenas Lembranças #1
Choro
Não sei precisar qual é minha lembrança mais antiga. No correr dos anos acabamos por recordar, com certa acuidade, de fatos banais, sem, contudo, guardarmos registros de eventos julgados importantes.
Obviamente, não me lembro do meu nascimento, nem de meus primeiríssimos anos neste mundo. Todavia, sempre fez parte de minha vida os relatos deste período, em que eu, sem explicação definitiva, chorei como poucas crianças o fizeram.
Nova série de postagens
Inspirado pelo mestre Saramago e seu “As pequenas memórias”, resolvi iniciar aqui uma série de textos sobre meus primeiros anos de vida. Não sou saudosista da minha infância, nem tive uma que fosse extraordinária em nenhum aspecto. Lendo as memórias de José Saramago, simplesmente Zezito à época, descobri que lembro bastante coisa destes meus primeiros anos. E escrevo sobre eles neste espaço, mais para mim que para os outros.