02 abril, 2007
24 março, 2007
22 março, 2007
Poeta da Revolução
21 março, 2007
14 março, 2007
08 março, 2007
27 fevereiro, 2007
Sobre o Oscar
Diferente da maioria das pessoas, gosto de assistir à cerimônia de entrega dos Oscars. Ela é sempre longa e cheia de momentos aborrecidos, mesmo assim me divirto. Há sempre momentos que valem à pena, este ano não houve muitos, contudo.
Foi bacana e caprichado os números de luz e sombra representando os filmes.
O discurso do fotografo (me parece que ele é argentino) de “O Labirinto do Fauno” (bom ver a consagração do filme com três prêmios) foi emocionado e valeu, embora torcesse por “Filhos da Esperança”.
Muito bonitinha a Abigail Breslin de “Pequena Miss Sunshine” na platéia.
Gostei de Alan Arkins ter levado e não Eddie Murphy como se esperava.
Tocante o momento em que a montadora Thelma Schoonmaker foi receber o prêmio por “Os Infiltrados” e da platéia vimos Martin Scorsese em lágrimas.
O discurso do Forest Whittaker sobre a arte do ator foi bonito, embora piegas ao remeter à sua infância.
Enio Morricone, um monstro da Trilha Sonora (“The good, the Bad, the Ugly” é impagável, servindo até de abertura para os shows dos Ramones), premiado pelo conjunto da obra, discursou em italiano, muito legal!
Há um tempo venho notando que os filmes que levam os prêmios de roteiro (original, adaptado), são de fato os filmes mais interessantes do ano (nem sempre são os que levam melhor filme). Com isso foi ótima a conquista de roteiro original pelo inteligente, tocante e engraçado “Pequena Miss Sunshine”. Já em roteiro adaptado me decepcionei com a premiação de “Os Infiltrados” que primeiro: viria a ganhar também melhor filme, e segundo: foi adaptado de um outro roteiro o que parece tarefa mais simples que adaptar um livro ou peça. Preferia ter visto “Filhos da Esperança” ou “Pecados Íntimos” saindo com o Oscar.
Por fim três figuras icônicas do cinema norte-americano (Coppola, Lucas, Spielberg) entregando o Oscar para Scorsese (para mim o melhor). E a Diane Keaton ao lado do careca Jack Nicholson (será que ele vai entregar melhor filme todo ano agora) consagrando “Os Infiltrados”, meu preferido dentre os cinco, junto de “Pequena Miss Sunshine”, que na verdade não tinha banca para levar o prêmio.
09 fevereiro, 2007
Quando secar o rio da minha infância
secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
minh'alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
– lá onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes me deitarei na relva
e nos dias silenciosos farei minha oração.
Meu eterno canto de amor:
expressão pura de minha mais profunda angústia.
Nos dias primaveris, colherei flores
para meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio."
Frei Tito – Paris, 12 de outubro de 1972
07 fevereiro, 2007
02 fevereiro, 2007
Sobre Tiradentes
Não. Não boicotei a 10ª. Mostra de Cinema de Tiradentes. Fui até lá, fiz uma oficina com Joel Pizzini, que foi muitíssimo válida. Ele é um profissional e tanto, tem um ótimo trabalho, muito sensível e peculiar, subvertendo o documentário tradicional. Uma oficina tão boa quanto a que fiz ano passado – Roteiro, com Di Moretti. Bom saber que o Brasil tem bons profissionais, ainda desconhecidos e mal pagos.
A Mostra de vídeos foi bastante irregular, a bloco de ficção que vi foi bem fraco, parecia querer abarcar realizadores de diversos estados, resultando confusa e mal programada. Os blocos de vídeos experimentais são bem difíceis para o público geral, e foi quando mais vimos produções de Minas.
Pela primeira vez foi permitida a exibição de longas-metragens finalizados em vídeo, o que é bom, mas abre espaço para produções um tanto herméticas para um Mostra de caráter popular com a de Tiradentes. “Cartola” foi exibido em BetaCam, com sérios problemas de áudio, o que levou o documentário a ser re-exibido em horário alternativo.
O Cine-Praça só aconteceu no meu último dia lá, com a exibição de “Antônia”, e pelo que sei a chuva só permitiu, antes, a projeção do vencedor do júri popular “Noel, o Poeta da Vila”. Outro ponto negativo foi a cerimônia que pretendia homenagear os artistas da década. Foi, segundo li, um evento longo e constrangedor, que igualou os artistas homenageados a políticos e patrocinadores, os verdadeiros bajulados pela produção.
O ponto alto ficou mesmo por conta de “Batismo de Sangue”. Desde o bate-papo antes da exibição, ficou clara a importância histórica, humana, artística do filme. A presença e os depoimentos dos Freis e de parte do elenco e equipe foram tocantes. Na sessão lotada o público foi contemplado com um filme belo, correto e transformador. Acredito que um filme – como toda obra de arte – só pode ser tocante e transformador na medida em que o artista que o executa seja transformado no processo. O que é patente nesta obra.
22 janeiro, 2007
II
O avô conheceu a avó na feira da cidadezinha onde ela nasceu e aonde ele foi à procura de mercado para suas figuras de madeira então restritas a pequenos macacos, ora num galho, ora não. Ela vendia suas prendices para ajudar
19 janeiro, 2007
I
Era uma família de artistas.
O avô era um artesão que talhava na madeira animais em paisagens inverossímeis. A avó faz tricô desde os dez anos de idade, borda desde os dozes, hoje completa a pensão deixada pelo marido fazendo barras de crochê em panos de prato e toalhas. O pai, filho único, é um pintor de cores, de pessoas sem rosto, mas cheias de personalidade, de um realismo que beira o abstrato. Casou com uma dançarina, a mãe, que depois de parir o sétimo filho foi-se embora para a Espanha com um dançarino de flamenco com quem faz apresentações pelas ruas de Sevilha.
Hoje vivem os nove numa casa que apenas comporta suas artes.
7 - E&G
A manhã estava clara e promissora, a família toda animada para a festa. Cada um tinha
seu motivo próprio. D. Nena, a avó estava ansiosa por ver mais um neto
experimentar pela primeira vez o corpo de Cristo. Jonas, o pai sempre se
esbalda nestas festas de família, adora ver os primos, azucrinar os cunhados,
atiçar as meninas. Nívea, a mãe que preparara com esmero a festa esperava a
repercussão do evento. Lucas que freqüentou por dois anos o catecismo, para
preparar-se para esse momento da primeira Eucaristia,
não sabia o que esperar, nem bem se importava, tinha preguiça de ter de receber
tantos comprimentos de gente que ia dizer: olha como cresceu; ficou a cara da
mãe; é o pai escrito; já é um homenzinho. Mas nenhum desses personagens será o
alvo das atenções dessa história, nem serão eles os para sempre lembrados nas
reuniões vindouras e até em outros círculos onde sempre há um que conhece
alguém que estava ali naquele domingo de sol.
A cerimônia correu em sua naturalidade, gente contando piada do lado de fora da igreja,
gente chorando, um bando de meninos cantando desafinados. E depois dali toda a
família e amigos rumaram para a casa de campo de Jonas. O ambiente estava
diferente do usual, com trigos por toda parte, cruzes e anjos que davam um ar
mais sacro ao local. Mas o que estava para acontecer era muito mais profano que
sagrado, mais vicioso que virtuoso. Até o meio-dia nada de anormal, foi aí que
Nívea começa a chamar os convidados para o almoço, a mesa estava bonita e
apetitosa, pratos para todos os gostos. Como era comum, os mais idosos se
sentaram e se serviram primeiro, seguidos logo pelas crianças, os jovens não
pensavam em almoçar e os adultos não deixariam a cerveja pelo jantar tão cedo.
Mas havia uma exceção, um sobrinho de Jonas, o que não era de se estranhar,
pois com seus 16 anos de idade já pesava 120kg. Mantê-los não deve ser fácil.
Pois o rapaz se sentou ali e começou com uma discreta salada, o que não
causaria espanto em quem o conhecesse, pois seguro que ele não ficaria só
nisso. Dito e feito logo comeu dos pães dos quais havia toda sorte, servidos
com toda a variedade de patês. Isso acompanhado de refrigerante, às vezes suco.
E as pessoas se sentavam, comiam, se levantavam e ele continuava ali, comendo
como quem começara agora. E comeu da picanha, da massa, strogonoff de carne, de
frango. Por vezes voltava à picanha ou à galinha. Não era muito notado, de quando
em quando passava uma velha e dizia: ô beleza! Dá gosto de ver esse menino
comendo. Um homem obeso perguntava: o que você recomenda garoto? E ele não
parava e a comida não faltava, as festa de Jonas e Nívea eram famosas pela
fartura. Até que os adultos em elevado grau de embriaguez finalmente resolveram
almoçar ou jantar se preferirem dado o avançado das horas. E o garoto, pelos
olhos dos homens, estava ali para comer pela primeira vez, pela única como
diria a lógica. Até o último bebum comeu, o suficiente para curar a bebedeira,
e bateu nos ombros do garoto: Você come muito devagar! Sem se dar conta de que
no tempo em que ele comia sua canja de galinha o garoto tinha comido três vezes
mais. Foi só então que se notou que algo estranho acontecia, a empregada já
queria limpar a mesa, guardar as sobras na geladeira, e o rapaz lhe pediu que
deixasse que ele terminaria com o resto. Uma tia interveio: Mas você não vai
dar conta, e não precisa amanhã a gente dá pro caseiro. O garoto só respondeu
abraçando a travessa de lasagna. Daí começam os cochichos: ele já está comendo
há duas horas. Que nada, há mais tempo! Será que ele não tem comida em casa!
Tem de ter, né, senão não seria tão gordo. Gordo não obeso, retrucou uma tia
acima do peso. E quando toda a atenção se voltou para os rumores e o garoto foi
esquecido, ouviu-se um barulho, que mais tarde ia ser caracterizado como: um
vulcão em erupção; mar em dia de ressaca; a pororoca do São Francisco, mas
nenhum fenômeno da natureza foi tão assombroso para aquela gente quanto o que
se viu ali. Aquela montanha de gordura e banha jazia ao lado da mesa. De pronto
uns homens se arriscaram a tentar levanta-lo, em vão. O rosto estava virado
para o chão e na mão segurava uma coxa de galinha, escorria uma poça de um
líquido que alguns mais desesperados pensavam ser sangue, mas não passava de
Coca-Cola. Alguns gritavam seu nome, qual era seu nome não importa, as lendas
não precisam de nomes, são chamadas do modo que queira quem conte a história. O
que passou depois disso ninguém sabe ao certo, o boca a boca criou diferentes
versões, cada um aumentava um ponto como deve um bom contador de histórias, e
disso eu não me redimo. Alguns dizem que ele morreu e foi preciso chamar os
bombeiros para leva-lo à funerária. Os mais simplórios dizem que foi congestão,
outros dizem que ele vomitou toda aquela comida, que era tanta que o pulmão não
agüentou o esforço. Seus seguidores falam que ele engasgou com o osso de
galinha, que comida ele agüentava muito mais. Uma versão mais bizarra, mas que,
entretanto conta com muitos adeptos, diz que ele foi levado para casa e acordou
um tempo depois, contudo tomado pela vergonha não quis sair dali e passou a não
suportar mais nem ver comida, com isso foi emagrecendo, tanto ao ponto de
morrer anorexo.
O fato foi que nunca mais houve uma festa de Jonas e Nívea, que nunca tocaram no assunto. Tentaram vender a casa de campo, mas não se encontrava pretendente na região.
Lucas nunca mais foi à Igreja, nem para casar. Mas essa história estava sempre
na boca dos Padres que nas predicas a usavam para mostrar como o pecado da Gula pode ser danoso.
17 janeiro, 2007
11 janeiro, 2007
Mostra Tiradentes anti-minas
Fora isso já ouvi críticas de profissionais da área quanto à predileção dos organizadores por ilustres desconhecidos de outros estados sobre os profissionais de Minas Gerais. Agora Pablo Villaça do Cinema em Cena divulgou em seu blog um email (que transcrevo abaixo) enviado a organização da mostra de Tiradentes, reclamando da falta de críticos mineiros no evento.
Façamos o que possamos para ter um evento de cinema mais digno de nosso Estado, afinal a Mostra é bancada por dinheiro público proveniente de leis de incentivo a cultura de Minas Gerais.
"Prezados,
recebi, com a tristeza habitual, a programação da 10a. Mostra de Tiradentes e constatei que, mais uma vez, o evento exibe a costumeira mentalidade de colônia ao convidar profissionais da Crítica de outros Estados, ignorando completamente a "prata da casa". Não vi espaço para profissionais como Fábio Leite, Paulo Henrique Silva, Silvana Mascagna, Marcelo Castilho, Mariana Peixoto, Carlos Quintão, entre outros, na programação de debates e afins - exatamente como ocorreu no ano passado, quando as "mesas-redonda" sobre Crítica incluíram profissionais praticamente desconhecidos de outros Estados e, como sempre, fizeram pouco de jornalistas e críticos consagrados de Minas Gerais.
(E não, não falo em defesa própria. Como crítico radicado quase que com exclusividade na Internet, estou mais do que acostumado ao preconceito com que a "Nova Mídia" é tratada e, portanto, sei que minha luta particular ainda levará alguns anos. O que me incomoda, neste momento, é o descaso que um evento produzido e realizado em Minas Gerais demonstra para com profissionais de Cinema de seu próprio Estado.)
Assim sendo, retiro o pedido de credenciamento para a 10. Mostra de Tiradentes e informo que o Cinema em Cena (que é, hoje, um dos principais sites do gênero da Internet brasileira, com mais de 800 mil leitores únicos por mês e mais de 10 milhões de pageviews mensais) não dedicará uma linha sequer ao evento enquanto este mantiver sua atitude preconceituosa para com os colegas baseados em Minas Gerais.
Um protesto isolado e sem maiores significados? Talvez. Mas temos que começar por algum lugar.
Sem mais para o momento, despeço-me.
(Obs: Cópias deste email estão sendo enviadas para diversos colegas, entre críticos e realizadores. E estes podem se sentir à vontade para repassá-lo para os demais amigos da área.)
Pablo Villaça
Editor Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br)
Membro da Online Film Critics Society"
Serão estas as pessoas indicadas para produzir uma mostra de cinema em BH?
09 janeiro, 2007
Boicote a Cicarelli
Que tal fecharem a Kodak devido a fotos indiscretas, ou bloquearem os correios por receber cartas difamantes.
Apoio e divulgo o Boicote a Cicarelli.
Update: A Mtv lançou um comunicado, apoiando a reação contra o fechamento do YouTube, mas repudiando o boicote à emissora. E esclarecendo que o processo partiu exclusivamente do Namorado de Daniela.
Update 2: Apesar de negativa, Cicarelli é autora de processo contra YouTube
11 dezembro, 2006
Subúrbio, por Chico Buarque
Lá não figura no mapa. No avesso da montanha, é labirinto, é contra-senha, é cara a tapa.
Casas sem cor. Ruas de pó, cidade que não se pinta, que é sem vaidade.
Lá não tem moças douradas expostas, andam nus pelas quebradas teus exus.
Não tem turistas. Não sai foto nas revistas.
Lá tem Jesus. E está de costas!
Espalha a tua voz nos arredores, carrega a tua cruz e os teus tambores. Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção. Traz as cabrochas e a roda de samba. Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae, teu hip-hop, fala na língua do rap.
Fala no pé, dá uma idéia naquela que te sombreia.
Desbanca a outra, a tal que abusa de ser tão maravilhosa.
Lá não tem claro-escuro, a luz é dura, a chapa é quente.
Que futuro tem aquela gente toda?
Perdido em ti eu ando em roda.
É pau, é pedra, é fim de linha.
É lenha, é fogo, é foda!
